Como é ter coronavírus no Canadá

O post de hoje foi escrito por uma seguidora que me escreveu contando que teve a doença e que estava impressionada com o cuidado que o governo do Canadá teve com ela. Eu perguntei se ela gostaria de contar a experiência para vocês aqui no blog e ela falou que sim. O intuito é realmente mostrar que há um amparo aos infectados, deixando todos vocês que moram no Canadá um pouco mais tranquilos. Vale falar que outros seguidores já me escreveram falando que estavam suspeitando de terem a doença e eu sempre indico todo mundo a acessar este post aqui e encontrar links confiáveis que podem te ajudar a procurar os melhores recursos ou responder suas dúvidas.

A seguidora tem 35 anos e mora com o marido (35 anos), a filha de 8 meses e um cachorro de 3 anos. Eles moram em Ottawa desde 2015. Já chegaram no país como residentes permanentes, buscando uma experiência no exterior, qualidade de vida e segurança. Eles escolheram o Canadá depois de uma viagem para cá em 2010 e encararam a vida aqui como um desafio, sem saber se daria certo. Ela conta que deu super certo e hoje, 5 anos depois, os dois trabalham exatamente na mesma área que tinham experiência no Brasil.

Em março/2020 a família foi para o Brasil para apresentar a bebê para os familiares. No dia 13 de março – uma semana antes no retorno para o Canadá) – a situação com o COVID-19 agravou e o Canada começou a cancelar aulas, fechar o comércio e cancelar os vôos. Segundo ela, no Brasil as pessoas ainda não tinham entendido a gravidade e estavam levando a vida normalmente. Naquela semana uma pessoa da sua família começou com tosse e no dia seguinte teve febre. Naquele mesmo dia era o vôo de retorno para o Canadá. Naquele dia eles receberam um email da empresa aérea GOL informando que o vôo havia sido cancelado e haviam colocado eles em um vôo com tempo de conexão no aeroporto de SP de 10 minutos, uma missão que sabemos ser impossível normalmente, imagina com bebê! A família tentou contactar a empresa mas os telefones e sites das cias aéreas ou não funcionavam ou o tempo de espera para ser atendido era imenso. Depois de muito tentar conseguiram trocar o vôo e cancelaram a janta de despedida da família e também pediram para que ninguém fosse ao aeroporto para não expor familiares ao risco de pegarem alguma coisa. Nos aviões e aeroporto todo o cuidado com higiene e distanciamento foi tomado, dentro do possível.

A família chegou no Canadá em uma sexta-feira de manhã e começaram a quarentena. No aeroporto o oficial da imigração informou que eles deveriam ficar 2 semanas sem sair de casa. Naquele mesmo dia uma amiga foi ao supermercado e deixou as compras na porta. No domingo o casal começou a ter dor de garganta e cabeça, e a bebê começou a ter febre e dormir muito mal. Nos dias seguintes – segunda e terça-feira – as dores não tinham passado. Um email foi mandado ao médico de família e na quarta-feira a família foi para um centro de testagem de COVID. O marido entrou no local e a esposa e o bebê ficaram esperando no carro. Em 22 minutos ele passou pela triagem e fez o teste. O local foi descrito por ela como muito organizado. Ela citou que havia uma ala separada para atendimento infantil e todos usando equipamentos de proteção. O marido trocou de máscara duas vezes (disponibilizadas no centro) e limpou a mão com álcool três vezes. Informaram que o resultado poderia ser consultado online e poderia demorar até 5 dias. No dia seguinte à tarde já estava disponível e era positivo.

Naquele mesmo dia a família foi contactada e informaram qua uma enfermeira entraria em contato no dia seguinte. E foi isso que aconteceu: uma enfermeira ligou para o marido e ficaram mais de 1hora ao telefone, fizeram o “track” de todos os passos da família, número no vôo, poltronas que sentaram no avião, horário do shuttle para pegar o carro. Eles falaram que iriam entrar em contato com todas as pessoas que de alguma maneira haviam entrado em contato com esta família. Ainda, a enfermeira perguntou sobre os sintomas e passou várias informações do que fazer e como fazer (isolamento, higienização das mãos, etc), explicando o que fazer em caso se emergência. Depois foi a vez da esposa falar e responder as mesmas perguntas, mas voltadas para ela e a bebê. A única diferença era que, apesar das duas terem os sintomas, por não terem sido testadas a conduta deveria ser a de “não ter”, ou seja, isolar-se do marido o máximo possível. Pelo cálculo da enfermeira nesta ligação a quarentena da família terminaria no dia 5, mas foi indicado que eles esperassem até o dia 10.

Eu achei muito interessante uma coisa que ela falou: a família tinha um número, ramal e número do caso e deveriam entrar em contato se qualquer novo sintoma aparecesse ou se tivessem alguma dúvida. Eles chegaram a ligar e, segundo ela, o atendimento foi ótimo. No dia 11 receberam uma ligação do Health Ontario informando que estavam oficialmente de alta.

Eu perguntei para ela quais os sintomas que sentiram. A descrição foi a seguinte: dor de cabeça, dor de garganta, dor no corpo, cansaço e febre. Ela comentou que eles estavam medindo a febre nos 3 primeiros dias com um termômetro digital que não estava funcionando – e esse mau funcionamento foi descoberto somente após a visita do marido ao centro de testagem, pois lá ele mediu 37.6C e em casa não passava nunca de 36C. Eles também pararam de sentir cheiro e gosto e, segundo ela, foi o último sintoma a desaparecer. O sintoma que fez eles desconfiarem do COVID-19 foi “uma sensação de ter uma bola no meio do peito, parecia que o ar não entrava por completo (como no final da gravidez)” e o marido citou “uma queimação no peito”.

O casal monitorou os sintomas e tinha um contato casos estes se agravassem. Eles estavam tranquilos e foram orientados por uma médica amiga da família a comprar um medidor de oxigênio no sangue e procurar ajuda se baixasse de 92%. Eles mediam várias vezes ao dia e monitoraram febre e demais sintomas. Esse monitoramento trouxe tranquilidade para o casal, apesar de estarem apreensivos em pensar que se piorassem não teriam com quem deixar o bebê, pois não tem família no Canadá.

Depois da alta eles foram liberados para sair de casa, mas a enfermeira orientou manter a distância de 2 metros das demais pessoas e ligar caso algum sintoma retornasse. Também indicou que eles poderiam fazer o teste novamente se achassem necessário.

O casal falou que o atendimento, mesmo que telefônico, foi excelente, o que, segundo eles, tranquilizou vários amigos que não estavam seguros com o sistema de saúde do Canada. Eles comentaram que sentiram um sentimento forte de incerteza, com receio de terem tido contato com alguém e infectado outras pessoas. Segundo eles, dois familiares do Brasil testaram positivo, e certamente o contágio da família se deu por lá – antes da maratona de vôos e aeroportos.

O que realmente me marcou no relato foi a eficácia do atendimento com a família aqui no Canadá e também o medo e a angústia que essa família passou, já que tem um bebê pequeno e, segundo eles, tinham muito receio do que aconteceria com ele caso o casal piorasse e tivesse que ser internado. No fim tudo correu bem e a família toda está bem.

Agradeço demais a esta seguidora e sua família por contar em detalhes tudo que passaram. O intuito deste texto é acalmar todos vocês e mostrar que há sim um cuidado enorme por parte do governo para quem apresenta sintomas e que você não estará desamparado e sem instruções do que fazer caso se sinta doente.

Vale lembrar que existe é um exemplo somente e que nem todas as pessoas que pegam a doença tem os mesmos sintomas. Se quiser ler mais textos sobre o COVID-19 aqui no blog clique aqui. A foto em destaque é da Freepik.

1 Resultado

  1. Daniele disse:

    Voltei de UK de uma viagem de trabalho no dia 15/03 assim que começou a quarentena. Fiquei isolada 15 dias conforme me recomendaram no aeroporto. No decimo dia comecei a ter os sintomas. Liguei para o telefone indicado no site do governo, fiquei 2 x por duas horas esperando atendimento e a ligação caía quando completava as duas horas. Por fim, Fui ao Sunnybrook Hospital e eles se recusaram a fazer exame mesmo tendo voltado de UK menos de 15 dias. Simplesmente disseram para eu me isolar. Não me ligaram, não me indicaram nem um medicamento, não se moveram. No final me deram uma carta: Why didn’t you get tested? Foi a unica coisa que recebi, só falaram para eu tratar do meu jeito os sintomas. Fiquei extremamente desapontada.

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