Roadtrip Yellowstone Parte 2: parte do Lower Loop e a cidade de West Yellowstone

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O Parque Nacional de Yellowstone é uma das mais belas maravilhas naturais do mundo, inspirando mais de 3.2 milhões de visitantes todos os anos. O parque, que é conhecido por ser o primeiro parque nacional do mundo (1872), possui características únicas: uma fauna nativa e diversa, características térmicas geológicas, e um ecossistema delicado e complexo. Eu nunca estive em um lugar com uma natureza tão diversa: cada uma das entradas do parque ou a cada curva que fazíamos a paisagem mudava drasticamente, e eu ia me apaixonando pelo Yellowstone, que certamente está na minha lista de top 3 lugares mais lindos que já visitei.

Continuando a série de posts da nossa última viagem, hoje vou falar da parte mais famosa e movimentada do parque: o Lower Loop, ou melhor, o quarto inferior oeste do Lower Loop (ufa! hehehe) e a cidade de West Yellowstone (aonde fica a entrada oeste do parque). Tudo que irei descrever neste post fizemos em um dia – e faltou muita coisa para conhecer, devo dizer. O Yellowstone é E-N-O-R-M-E: quase 900.000 hectares ou quase 9.000 km quadrados de área e a parte visitada representa apenas 3% da área do parque.

Vale falar aqui que o parque é dividido em dois loops: o Upper Loop (superior) e o Lower Loop (inferior). Em muitos dos guias e viagem vocês também vão ver a expressão “Grand Loop”, que é o trajeto circular completo, passando por todo o parque (230km de estrada). Clique aqui e veja o mapa de todos estes trajetos e suas atrações. Abaixo, o mapa do trajeto que irei descrever neste post pra vocês.

Entramos no parque pela entrada Sul vindo do Grand Teton National Park (e já adianto que passamos pelas 5 saídas, cada uma com uma paisagem totalmente diferente da outra). A distância da entrada sul até a West Thumb (aonde você irá pegar o Lower Loop) é de 35km e você passará por um canyon enorme (que ainda não é o Grand Canyon do Yellowstone – sim, o Yellowstone tem um Grand Canyon!). Achei a estrada bem “complicada” (não é a toa que fica fechada no inverno. Neste caminho há uma cachoeira chamada Lewis Falls, que fica na beira da estrada e é parada obrigatória.

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** Destaque para eu “lindona” usando TODOS os casacos que havia levado para a viagem (4) por causa da temperatura próxima a zero (nenhum dos casacos, obviamente, de inverno). Como esta foi a única foto que batemos “da família” na placa do Yellowstone, tive que publicar (mesmo parecendo uma bolinha!).

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O Yellowstone fica localizado em uma região geologicamente instável – e você vai notar bem isso quando estiver passeando pelo Lower Loop. O Yellowstone é considerado um supervulcão (pois uma possível erupção sua poderia durar semanas provocando efeitos globais, que persistiriam por meses ou até por anos). Sua cratera tem 90 quilômetros de extensão, e sua caldeira é uma das maiores do mundo, medindo 70 X 50km de extensão, sendo que boa parte de seu magma é do tipo eruptivo. Ainda, anualmente acontecem entre 1000 e 3000 terremotos no parque.

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Ainda em relação à atividade vulcânica o parque possui mais de 1000 fontes de águas termais e mais de 300 gêiseres, incluindo aqueles localizados em áreas das chamadas bacias inferior (Lower Geyser Basin), média (Midway Geiser Basin) e superior (Upper Geyser Basin). Você vai andando e ai vê fumaça saindo da terra por todos os lados… no começo se assusta, mas depois se acostuma e só pensa “gêiser” ou “calma ai Sr. Vulcão”. Posso dizer que é um pouco assustador, mas incrível.

Old Faithful Gêiser, Upper Geyser Basin e Old Faithful Inn

Nosso primeira parada não poderia ser diferente: Old Faithful (o mais famoso dos gêisers e o primeiro a receber nome). Como o próprio nome diz – Fiel Antigo – o Old Faithful é um dos gêisers mais previsíveis, em erupção geralmente de 90 em 90 minutos. Não dá para ir para o Yellowstone e não ver a erupção do Old Faithful, que lança 14.000 a 32.000 litros de água fervente a uma altura de 32 a 56 metros, com duração de 1.5 a 5 minutos. Há uma plataforma para observação e vários bancos, o local é super organizado. Duas dicas para você ver o Old Faithful em ação e não precisar esperar muito tempo para isso: (1) vá ao centro de visitantes e veja as previsões de horários das erupções; e, (2) veja quando o local estiver lotado (geralmente próximo do horário estará lotado, se estiver vazio é porque deve ter acontecido anteriormente e você pode passear pelo local por 1 hora até a próxima erupção).

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Da plataforma de observação do Old Faithful você pode fazer trilhas para o Upper Geyser Basin e ver outros gêysers lindos, como a Belgium Pool, o Crested Pool, Morning Glory, Castle Geyser e a Blue Star Spring (foto abaixo). Infelizmente no momento que estávamos visitando o local começou a chover pedras de gelo e ficou muito, muito frio – e não conseguimos fazer o passeio completo. Até tentamos voltar outro dia mas não tivemos tempo. Ainda, o ideal é que esteja um tempo bom (céu azul e sol) para você ver as cores dos gêisers (que são resultado da ação de bactérias)… como estava nublado desencanamos e continuamos nosso passeio.

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Ah, antes de sairmos dessa parte do parque (chamada de Old Faithful Historic District) fomos visitar o famoso Old Fainthful Inn, um hotel aberto ao público em 1904 e considerado o maior hotel do estilo “cabana” do mundo. O seu hall possui 4 andares de varandas e é incrível (infelizmente os dois últimos tiveram sua estrutura afetada por um terremoto e não estão abertos ao público). Dentro do hotel há 5 locais para comer: um grill, dois dining rooms, uma cafeteria (que vende sorvetes enormes e maravilhosos), e uma deli.

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Midway Geiser Basin e a famosa Grand Prismatic Spring

Seguindo nosso passeio pelo Lower Loop fomos até a Midway Geiser Basin para conhecer a famosa Grand Prismatic Spring, a maior fonte de água quente nos Estados Unidos e a terceira maior do mundo. O que mais impressiona não é o tamanho, mas a cor da Grand Prismatic – inclusive foi esta característica que a nomeou: suas cores combinam com a dispersão do arco-íris de luz branca por um prisma ótico (vermelho, laranja, amarelo, verde e azul). Infelizmente estava chovendo muito e muito frio, então não conseguimos ver o colorido vivo da Grand Prismatic (inclusive saia muita fumaça da mesma, ficando difícil de ver a cor azul). Mesmo assim, conseguimos ter uma noção do seu tamanho e de algumas de suas cores. Uma dica para ver a Grand Prismatic Spring do alto é fazer a trilha da Fairy Falls. Não fizemos pois estava chovendo, a trilha possui 10km de extensão e como Jojoe não era permitido nas trilhas não iríamos deixar nosso peludo no carro um dia inteiro (mas fica a dica!).

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Lower Geiser Basin

E de repente, quando chegamos no Lower Geiser Basin, o sol resolveu aparecer. Nesta trilha você encontrará a Fountain Paint Pot, uma fonte de lava/barro que recebeu este nome pois a lama da região possui diversos tons de vermelho, amarelo e marrom.

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Pertinho do Lower Geiser Basin há uma estradinha chamada Firehole Lake Drive, que leva ao Great Fountain Geyser e um Castle Geyser que fica na beira da estrada. Para nós que estávamos com Jojoe foi melhor ver estas estruturas pertinho da estrada. Isso porque cachorros são permitidos somente nos estacionamentos e a 30 metros das estradas, menos em trilhas e passarelas. Isso porque os cachorros podem atrair ursos e também passar doenças para os animais selvagens. Vou escrever com mais detalhes como foi a viagem ao Yellowstone com nosso cachorro, mas posso dizer de antemão que não nos privamos de conhecer nada (até porque nosso objetivo não era fazer trilhas enormes).

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West Yellowstone, Montana

Como disse no post anterior desta roadtrip, West Yellowstone possui um aeroporto e, portanto, é uma das cidades mais populares para os visitantes do parque. West Yellowstone, como o próprio nome diz, fica a oeste do parque, perto do “Portão Oeste” e é bem pequena (1200 habitantes segundo o Censo de 2010). A cidade vive basicamente do turismo e lá você encontra restaurantes, muitos hotéis, lojinhas de souvenirs e alguns museus. Nós apenas demos uma voltinha no centro – que é bem pequeno mas bonito – e fomos direto para nosso “hotel”, que ficava a 12km do centro de West Yellowstone.

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Ficamos hospedados no Under Canvas, uma espécie de acampamento luxuoso, aonde as barracas possuem camas, lareiras e banheiros. O Under Canvas oferece uma experiência única e luxuosa, chamada de “Glamp” ao invés de “Camp” (acampar). Glamping (como eles chamam) é acampar de uma maneira glamurosa (com cama, banheiro, lareira, armários, cadeiras e deck), mas ainda assim usufruindo da natureza e do ar livre. No Under Canvas tivemos a chance de observar belas vistas das montanhas e curtir a natureza do parque em um campo aberto.

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Eu nunca acampei e não sou muito fã de acampamentos. Mas posso dizer que AMEI a experiência que tivemos. Quando chegamos no local estava chovendo e muito frio, e eles deram a opção de irmos para outro lugar. Mas nós ficamos e só tivemos, ou melhor, meu marido teve que lidar com a lareira – ter certeza que ela ficaria com fogo a noite toda. Quando você faz o check-in recebe um spray para ursos (e toda a instrução para usá-lo) e a ordem de não levar nenhum tipo de comida para a barraca. O local do acampamento é cercado, mas em uma área de ursos então não se pode arriscar (até porque estávamos com nosso Jojoe, que seria um ótimo tira-gosto para qualquer urso faminto).

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Destaque para Jojoe – nosso cachorro – que pela primeira vez em 5 anos dormiu com a gente na cama (ele sempre dorme no canto dele) e nos acordou várias vezes apavorado com os uivos dos lobos cachorros. Se nós ouvíamos barulhos estranhos a noite imagina o Joelson, que tem uma orelha enorrrme. Coitado!

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Pertinho do hotel (mais precisamente 1.5km de distância) há um restaurante MARAVILHOSO chamado Bar-N-Ranch, com uma decoração duvidosa (animais empalhados e armas), comida típica e um café da manhã maravilhoso. Fica aqui a dica, mesmo que você não fique hospedado no Under Canvas.

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Termino este post com uma foto que mostra bem como a viagem foi curtida por todos, especialmente pelo peludo. Conforme escrevi para vocês, quando chegamos em Old Faintful começou a chuver granizo – muito granizo – por pelo menos 30 minutos. O que restou foi cochilar no carro. Aliás, destaco aqui o clima louco do parque: fez frio, calor, granizo, chuva e muito sol… tudo no mesmo dia (uma loucura). Espero que tenham gostado do post e aguardem os próximos posts desta roadtrip incrível.

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** Um parênteses aqui: vocês devem estar pensando “cadê os animais”? Gente, vimos MUITA vida selvagem e temos fotos lindas, mas irei escrever um post somente sobre a Wildlife desta que é, na minha opinião, a principal atração do parque.

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13 Responses

  1. Yana disse:

    Estou simplesmente adorando a leitura e as fotos! Eu tenho um viagem marcada para Julho e por coincidência eu vou passar pelo mesmo roteiro, somente que no sentido inverso (Denver, Rushmore, Yellowstone, Grand Teton). Estou pegando várias dicas suas.
    Obrigada por todas as indicações!

  2. Felipe disse:

    Oi Gabriela,
    Parabens pelo post,muito legal!
    Favor me tire uma duvida,vou passar por West Yellowstone em junho e terei apenas algumas horas na cidade,existem atraçoes que possa visitar nesse periodo.
    Muito obrigado!

  3. Camila Gomes disse:

    Oi Gaby!!!
    Que suuuuper legal seu post!!!!
    amei demais o lugar!!!
    não sou assim tão chegada na vida selvagem… rsrsrsrrs
    Mas me deu a impressão de ter sido super divertido!!!!
    detalhe para o Joe que é o cão mais aventureiro de todo Brasil-Canadá!!!
    rsrsrsrrsrsrs

    Bjuuuuuu

  4. Ahhhh que lindo!!!
    Adorei a foto na placa com os vários casacos. Faz a fina e diz que é tendência por aí, Gaby! hehehe 😉 Na foto logo abaixo o Ju ficou super modelo, arrasou. E amei a foto com o guarda-chuva, bem conceitual e diferente, linda.

    Adorei o acampamento de vocês, que lugar lindo, assim dá até gosto de acampar. Quanto à parte do urso eu morri de medo! hahaha Não pode nem fazer um lanchinho ou ter uma guloseima na barraca, aí complicou! hehehe Jojoe só pensado: o que a gente tá fazendo aqui??? Mas ele aproveitou, deu para perceber pela última foto, acabado. Lindeuso! <3

    Beijos mil, muita saudade!!!

    • Poisé, foi estranho estar numa barraca e não poder comer nada (não podia nada mesmo, tudo tinha que ficar no carro, mais afastado das barracas). Mas ficamos com medo, Joelson já é um presuntinho por si só, hehehe! Obrigada pelo comentário Lê, e fico feliz que você gostou das fotos! Beijos e saudades

  5. Samy disse:

    Uauuuuu!!!!!
    Consegui sair um pouquinho da minha cadeira/escritório e viajar por alguns minutos!!
    Que imagens lindas que vocês fizeram, é incrível pensar no quanto existem lugares e características diferentes no nosso planeta, e, que existem lugares com uma combinação tão diversificada de paisagem, fauna, clima e afins em “tão pouca distancia”.

    Adorei a fonte gigante de água quente, parece cenário de filme de ficção científica, com o guarda chuva lá caído derretendo, amei a foto!

    Confesso que também não sou fan de acampamentos, mas acho que esse “glamp” dá pra encarar!! ahahah Vocês dormiram só uma noite ali?!

    Eu amo fotografia relacionada a natureza, to A-M-A-N-D-O as fotos e se ainda tem muito mais por vir fico ansiosa pra ver 🙂
    O post ficou perfeitamente explicado, como todas as postagens que tu faz, tu escreve muito bem, é muito organizada e a gente consegue entender tudo e sentir que faz parte das tuas experiências.
    Mais uma vez obrigada por compartilharem conosco as viagens, fotos e detalhes.

    Beijoss

  6. Juliano Ghisi disse:

    O lugar é realmente muito especial.

    Provavelmente vocês não notaram ( eu demorei ), mas na foto que a Gaby está em uma passarela segurando o guarda-chuva, tem um outro guarda-chuva caído no chão ( na direita ). Alguém deixou cair, mas como é muito quente, não tinha como recuperar. Ele ficou lá derretendo 🙂

  7. Nathalia disse:

    Simplesmente ADOREI o posto! Alias, nao so o post mas todo o seu blog! Lindo, bem feito, bem escrito, com post sobre todos os tipos de assuntos, muito pratico para quem vai morar em Toronto e quer conhecer os alredores e o resto do Canada também…continue assim, sou fã de carteirinha agora! Ah, nao poderia terminar meu comentario sem falar o quanto você e seu marido formam um lindo casal, parabéns!!

  1. 15/09/2014

    […] (uma das partes mais lindas do parque). Se você ainda não leu os outros posts clique aqui e aqui para […]

  2. 21/09/2014

    […] que havia um Under Canvas por lá – e decidimos nos hospedar novamente. Pra quem não leu o post 2 sobre o Yellowstone, o Under Canvas é uma espécie de acampamento luxuoso, aonde as barracas […]

  3. 01/10/2014

    […] Roadtrip Yellowstone Parte 2, aonde falo sobre a região dos geisers no Lower Loop (incluindo o famoso Old Faithful Gêiser) e sobre a cidade de West Yellowstone, além de contar para vocês a nossa experiência Glamping (acampar de uma maneira glamurosa com cama, banheiro, lareira, armários, cadeiras e deck). […]

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