Projeto 6 on 6 Canada | Dezembro 2019: 6 coisas que precisei aprender depois que mudei para o Canadá

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Hoje é dia de projeto 6 on 6 Canada aqui no blog – clique aqui e veja os vários posts deste projeto – e o tema deste mês me fez refletir bastante sobre o quanto eu mudei nesses quase 10 anos de Canadá. Eu sei que com o passar do tempo é inevitável que a gente mude e evolua, mas vários estudos falam que o ambiente que a gente vive influencia essa mudança e faz com que a gente aprenda e se adapte a este novo local. Então, a palavra do momento é não somente aprendizado, mas adaptação. E eu mudei muito, e eu me adaptei – e continuo me adaptando – a todas estas mudanças que vem acontecendo na minha vida.

1.Aprendi a conviver com a saudade

Ana Correa | 2016

Certamente a primeira coisa que aprendemos a conviver quando moramos fora do nosso país de origem – e longe de onde nossa família está – é a saudade. Eu confesso que nunca tive saudade de morar no Brasil – sempre amei morar no Canadá e me adaptei super fácil a tudo que a vida aqui envolve – mas nos primeiros anos eu sofri demais por saudade da família. Era saudade dos almoços de domingo, saudade dos aniversários dos primos, saudade das idas à pizzaria, saudade de estar presente nas datas especiais… Hoje eu ainda tenho saudade, mas ela não aperta tanto. Acho que já estamos acostumados e adaptados com nossa vida aqui e, com a chegada dos filhos, criamos nossos novos rituais e memórias, que de certa forma preencheram o vazio deixado pela vida social e afetiva que tínhamos no Brasil. Na foto, eu e um pouco dos meus primos na festinha de 1 ano do Thomas no Brasil. Eu sempre fui apegada aos meus primos e é como se eles fossem meus irmãos. Sempre fizemos tudo juntos e morro de saudades dos nossos encontros e das comemorações que sempre foram cheias de alegria.

2.Aprendi a não ter medo da neve e do frio

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Uma outra coisa que aprendi foi certamente a conviver – e apreciar – a neve e o frio. Não estou dizendo que curto intensamente o frio congelante, mas não tenho medo de sair de casa e fazer minhas atividades mesmo quando a temperatura está com dois dígitos negativos. Antes de morar no Canadá eu ficava receosa com o frio, mas acho que me acostumei rápido. Com a chegada dos meninos eu voltei a ter um certo receio, mas logo me informei e hoje quando o frio chega sabemos exatamente o que fazer e como se preparar apropriadamente. O frio e a neve fazem parte da nossa vida quase que 6 meses do ano e esse aprendizado acaba acontecendo quase que inevitavelmente. Na foto eu e o Ju voltando para casa depois de uma nevasca, tranquilamente na rua mesmo com um frio extremo.

3.Aprendi a ver o mundo – e suas diferentes culturas – com outros olhos

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Quem acompanha meus textos no blog sabe que eu sou apaixonada pela multiculturalidade de Toronto – leia aqui – que é também presente em outras partes do Canadá. Morar quase 10 anos em Toronto me fez aprender mais sobre o mundo, conhecer pessoas de diferentes nacionalidades, ouvir histórias que parecia tão distantes da minha realidade, respeitar mais o próximo e entender mais sobre a minha existência. A multiculturalidade de Toronto é algo fascinante e até hoje eu fico impressionada como um lugar com tanta gente diferente consegue ser tão organizado. Durante estes quase 10 anos de Toronto eu aprendi que há muito (muito) mais do que aprendemos no nosso país, e que o mundo é realmente enorme. Confesso que fico super empolgada em pensar que meus filhos vão crescer em uma cidade assim e espero que eles possam tirar proveito disso e realmente que esse contato molde o tipo de cidadão que eles irão se tornar. Foto de um tour gastronômico no Kensington Market – este aqui – onde conseguimos ouvir um pouco mais sobre a triste história de refugiados da Síria.

4.Aprendi a não me preocupar tanto com a aparência

Eu pensei muito se ia incluir este tópico, mas acho que é relevante para o tema e representa sim uma das grandes mudanças que aconteceram comigo depois que eu morei para cá. Eu sempre gostei de me arrumar – muito – e não saia na rua sem ter a roupa toda combinando, com brinco e salto alto. E ai o Canadá surgiu na minha vida e com o tempo eu percebi que a aparência não iria ditar quem eu era e sim minhas ações. Comecei a notar que no trabalho as pessoas não se vestiam super arrumadas e nem por isso eram vistas com maus olhos. Com o tempo eu fui me desprendendo do salto alto e gastando menos tempo para me arrumar e mais tempo para aquilo que realmente é importante na vida. E comecei a julgar menos as pessoas pelo que elas vestiam e sim por como elas agiam. Na foto eu, Thomas e Ian (no canguru) fazendo uma caminhada na nossa viagem de trailer. Roupas confortáveis e muito amor sempre presentes.

5.Aprendi a me virar em 10 para dar conta de tudo

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Esposa, mãe, faxineira, pesquisadora, amiga, cozinheira, blogueira… essas são algumas das minhas tarefas aqui no Canadá. Claro que eu poderia ser tudo isso no Brasil, mas a questão é que aqui somos somente eu, meu marido e nossos filhos. Não temos família para nos ajudar e quando um dos meninos está doente a gente tem que se virar para poder trabalhar e cuidar deles. Não tem vovó para cuidar, não tem faxineira para limpar, não tem restaurante a quilo para comprar o almoço (apesar que as marmitas da GoLightBeFit ajudam muito). Enfim, vir para o Canadá me ensinou a me reinventar e exercer vários papéis em 24h, de saber que eu posso tudo e que se eu me empenhar e me organizar eu consigo fazer tudo isso bem. Sinto que aqui eu vivo a melhor versão de mim mesma, mesmo que esta versão esteja sempre com sono e atarefada. Foto de um workshop que dei no Congresso Canadense de Cardiologia no ano que terminei meu doutorado, semanas antes de começar o tratamento para engravidar do Thomas.

6.Aprendi a curtir todos os momentos intensamente e não esperar por férias e ocasiões especiais

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Outro dia fiquei me perguntando o porquê de eu gostar tanto de morar em Toronto. Tem vários motivos mas o principal deles é que aqui a nossa vida é vivida mais intensamente. Nós aprendemos a ser turistas na cidade que moramos e vivemos intensamente todos os momentos. No Brasil os dias eram longos e a rotina pegava forte. Lembro que ficava sempre sonhando com as férias e com feriados e não aproveitava os dias comuns. Aqui nós aprendemos a curtir todos os momentos e não esperamos por dias diferentes: tornamos cada dia especial e único. Sei que isso pode acontecer em qualquer lugar onde vivemos, mas no meu caso foi aqui em Toronto que eu aprendi isso. E é por isso que eu sou eternamente grata a essa cidade. Na foto eu estou comendo pipoca e passeando na Dundas Square, uma praça bem popular no centrão da cidade.

Espero que tenham gostado do tema deste mês e não deixem de acompanhar o que os outros blogueiros que fazem parte do projeto tem a dizer sobre o assunto. E vale falar que o próximo post será em 2020, ano que comemoramos 5 anos do projeto.

Embarque com a Pri (Priscila, Victoria)
Vidal Norte (Dani, New Market)
Mariana Day Blog (Mariana, Calgary)
Casei e Mudei (Elisa, Edmonton)
Vivendo em Hamilton (Reinaldo, Hamilton)

2 Resultados

  1. Renata Lima disse:

    amei Gabi…..e’ isso mesmo…saudade, frio, multicultura, se virando nos 20 (ainda estou lutando com isso), e ser turista em Toronto (amo)….
    estava pensando em escrever algo pros meus amigos no meu face…mas acho que vou colocar esse link, pq esta dizendo quase td q eu queria dizer , heheheheh

  2. Pietra reis disse:

    que inspiração.
    sempre bons textos e ótimas historias de vida.
    adoro seu blog
    :)

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