1 ano do Ian: sobre reaprender e amar

Hoje meu pequeno completa 1 ano de vida. Eu nem acredito! Quando eu olho para trás e recordo o dia 30 de julho de 2018 eu fico emocionada pois foi um dos dias mais aguardados da minha vida. Para quem não sabe essa foi a data que minha cesária estava marcada antes mesmo de eu parar no hospital – e durante os dois meses que fiquei nele a data “30 de julho” estava lá no mural, anotada e muito aguardada. Muitas vezes eu duvidei que o Ian fosse nascer nesta data – porque entrei no hospital em 23 de maio de 2018 – mas os dias foram passando, as semanas foram ficando para trás e o 30 de julho foi chegando cada vez mais próximo. E ele veio e trouxe meu Ian.

Lembro bem como o 30 de julho surgiu nas nossas vidas: quando estava no médico fazendo milhares de exames – ao diagnosticaram problemas na placenta mas antes de ser internada no hospital – meu médico me disse que eu teria que fazer uma cesária e que iria marcar para a semana do dia 30 de julho porque antes estaria de férias. Lembro que ele ainda brincou que queria fazer meu parto com a cabeça descansada e que no primeiro dia depois de retornar das férias estaria tranquilo e relaxado, o que seria perfeito para fazer um parto, digamos, complicado. Ai ele anotou alguns números no prontuário, deixou aquela folhas exposta e saiu. ÓBVIO que eu dei uma espiada e lá dizia: marcar cesária para a manhã do dia 30 de julho, segunda-feira. Meu coração bateu forte quando vi a anotação e desde aquele momento eu sabia que, a partir dali, os 30 de julhos seriam muito especiais pois iríamos comemorar os anos do nosso bebê. E assim foi.

Há um ano atrás nós acordávamos cedo – acho que por volta das 6am – e eu tomava um banho demorado. Durante o banho eu me despedia da barriga: sabia que era a última vez que iria ter um bebê dentro de mim. Lembro do que pensei e de como eu agradeci à Deus por ter me dado a oportunidade de carregar dois filhos no ventre, pois sei que não é fácil. Foi um momento bem meu, bem pessoal e bem marcante. Vale falar que eu já estava no hospital e não ia precisar chegar muito cedo e ficar esperando admissão. Já tinha quarto, já estava familiarizada com tudo, já conhecia toda a equipe, já me sentia em casa.

Minha cirurgia estava marcada para começar 9am, mas atrasou porque houveram emergências e eu estava bem, ou seja, não havia a necessidade de correr com a minha cirurgia. E é muito louca essa espera: sabia que o tão aguardado dia de conhecer o Ian tinha chegado mas não sabia ao certo que horas ele viria ao mundo. E às 11am chegou a minha vez, ou melhor, a nossa vez. Fui para a sala de cirurgia e 11:50am nasceu meu pequeno. E a partir daquele momento eu reaprendi a ser mãe e reaprendi a amar. E é sobre essa nova aprendizagem que eu quero escrever um pouco para vocês.

Ian sempre foi muito diferente do irmão. Mais calmo, mais chorão, mais observador. Embora sejam muito parecidos fisicamente eu noto diferença em praticamente tudo que fazem. Desde os primeiros dias o Ian só queria meu colo, meu aconchego, meu peito… em outras palavras: eu. O Thomas já era mais tranquilo. E essa necessidade de estar comigo e só me querer, só sossegar no meu colo e só estar tranquilo com a boca do meu peito me fez reaprender sobre muitas coisas – especialmente a ter mais paciência, a me doar mais e a amar ainda mais. Preciso confessar para vocês que não foi fácil: depois de 2 meses no hospital eu sentia saudade do Thomas, do Jojoe e do meu marido, queria ter um tempo com eles, queria ter um tempo comigo… tudo isso teve que esperar porque meu novo bebê não queria saber de ficar longe de mim. Às vezes eu estava no quarto dando de mamar ou fazendo o Ian dormir e ouvia lá embaixo meu marido com Thomas e Jojoe e eu ficava triste e ansiosa: queria estar com eles, queria fazer parte daquele momento. Mas o Ian precisava de mim, mais do que qualquer outra pessoas… e eu me doei 110% a ele. E eu aprendi muito nessa fase da minha vida.

Thomas gostava de dormir sozinho. Ian só dormia comigo na cama (nem berço ele queria). Thomas mamou no peito até 7 meses mas preferia a mamadeira. Ian detestou mamadeira e até hoje segue firme no peito. Thomas gostava de ficar no chão, brincando com os brinquedos. Ian ama colo e chão é só quando está super bem humorado. Thomas amava ser alimentado. Ian só come se for ele que colocar o alimento na boca. Thomas amava batata doce. Ian detesta batata doce. Thomas gostava de livros. Ian ama bolas. Thomas queria a todo custo puxar os pêlos do Jojoe. Ian é delicado e faz carinho no irmão peludo sem puxar nada. Thomas dormia no carro. Ian detesta carro. Thomas dormia no carrinho. Ian só dorme se estiver no canguru. E por ai vai.

Eu sempre soube que meus meninos eram diferentes mas a ficha caiu quando o Ian completou 9 meses e eu fui me dar conta que ele ainda não engatinhava ou se movimentava no chão. Fiquei nervosa, achei que era atraso de desenvolvimento e que tinha algo “errado” com ele, afinal “com 9 meses o irmão já ficava até de pé no berço”. Levei em médico, fisioterapeuta e durante esta minha ansiedade e nervosismo a ficha caiu. A ficha caiu que o Ian é diferente, é único e tem o seu desenvolvimento. Eu não podia comparar ele com o irmão (ou com outras crianças). Não era justo. E nessa loucura eu compreendi que a cada filho nasce uma nova mãe e que eu teria que reaprender a ser uma nova mãe. Que a “mãe do Thomas” não poderia ser a mesma que a “mãe do Ian”. E que eu deveria respeitar e amar meu filho do jeitinho que ele é, sem cobrança e comparações. E foi isso que eu fiz. E foi a melhor coisa que eu fiz.

Hoje eu sou uma mãe mais leve, menos estressada e com a cabeça no lugar. Ainda estou reaprendendo a ser mãe – porque ser mãe de 3 não é fácil – e, especialmente, a conseguir dividir o tempo que tenho para todos aqueles que eu amo (inclusive eu mesma). Chego neste 1 ano do meu filho com orgulho e sem arrependimentos. Acho que foi o ano da minha vida que eu mais aprendi, que eu mais de dediquei, que eu mais amei. Não que o primeiro ano do Thomas não tivesse tudo isso – teve sim muito amor e muito aprendizado – mas o primeiro ano do Ian foi mais desafiador e eu sinto que eu sobrevivi, que eu aprendi, que eu me redescobri. E é por isso que o dia de hoje será muito celebrado. Não é só um dia de vitória – por meu bebê ter conseguido nascer na data que o médico planejou e, especialmente, com muita saúde depois de tudo que passamos – mas um dia que eu celebro um ano de MUITO aprendizado e amor. Um ano de doação. Um ano de família completa.

As lindas fotos que ilustram este post foram batidas pela fotógrafa Lilian da LicaFlor – a mesma que bateu o Smash the Cake do Thomas (inclusive as fotos foram batidas no mesmo local e os meninos usaram a mesma roupa). Foram momentos muito especial compartilhados com a Lilian e as fotos estão no meu coração para sempre. Para contratar os serviços da Lilian e mais informações acesse aqui ou ligue (647)518-9090.



3 Resultados

  1. Elisa disse:

    Que texto emocionante Gaby. Adoro acompanhar você e sua família por aqui e pelas redes sociais.
    Parabéns ao Ian pelo seu primeiro anuversário e à você e ao Ju por essa família linda.
    Beijos,
    Elisa

  2. Ana Regina disse:

    Concordo contigo Gaby, a cada filho nasce uma nova mãe e acho que também nasce uma nova família, porque todos os papéis dentro dela mudam. Obrigada por mais esse lindo texto e por compartilhar esses momentos maravilhosos com todos nós.

  3. Maria Augusta disse:

    Lindo texto! Me emocionou! Também tive uma bebê que só queria (ainda quer rsrs) colo e mamá, sei o quanto isso consome nossas energias. Me sentia culpada por reclamar e me sentir esgotada, mas só quem vive isso sabe como é difícil. Também compreendi que isso era uma necessidade da minha filha e me doei completamente. Aos poucos foi tudo melhorando e se encaixando e as lembranças das noites mal dormidas e do peito dolorido vão ficando pra trás. E outros desafios vão surgindo… quando fica muito difícil eu olho pra ela e vejo uma garotinha de um ano e meio muito esperta, saudável e feliz, e repito o mantra da maternidade: “isso também vai passar”. Obrigada por dividir as alegrias e as dificuldades também, nos sentimos acolhidas e compreendidas quando vemos outras mães reais por aqui, muitas vezes cansadas e descabeladas mas felizes e agradecidas pela família que temos.

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