Sobre o susto que Jojoe nos deu

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Em setembro de 2016 Jojoe completou 7 anos de idade e foi “promovido” a categoria de senior dog. De acordo com o Journal of American Animal Hospital Association o termo senior descreve um animal de estimação envelhecendo, mas não necessariamente doente ou com alguma debilidade. Mesmo assim eu lembro que no dia do aniversário do Jojoe eu fiquei muito tocada com a chegada da velhice do meu cachorro e até escrevi um post sobre o assunto aqui no blog, falando sobre a mistura de sentimentos que eu vivia naquele momento já que meu querido cachorro estava crescendo rápido demais.

Pois bem, em outubro de 2016 a sua clínica veterinária nos ligou para marcarmos um novo check-up. Antes dos 7 anos Jojoe ia apenas uma vez por ano fazer check-ups, ou quando precisasse de um certificado médico para viajar ou uma vacina ou não estivesse se sentindo bem. Mas após os 7 anos – por ser um senior – o indicado era que ele fosse visto por um veterinário pelo menos 2x ao ano. Marcamos a consulta para início de novembro e a veterinária não achou nada que lhe preocupasse, a não ser os dentes do Joe, que estavam cheios de tártaro. Já havíamos feito limpeza outras vezes e resolvemos que iríamos fazer uma outra limpeza. Para limpar os dentes dos cachorros os veterinários fazem uma anestesia e colocam os animais para dormir, e por causa desta anestesia tivemos que fazer alguns exames de sangue para ver se estava tudo bem com nosso peludo… e foi ai que a nossa história começou.

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Recebi uma mensagem da própria veterinária dois dias depois que levei Jojoe na clínica… e eu lembro que fiquei apreensiva pois ela nunca tinha me ligado. Liguei de volta e ela falou que um dos hormônios do fígado do Joe estava elevado, mas era um valor ainda baixo e que poderia ser do próprio envelhecimento do cachorro. Pediu para eu não fazer a limpeza dos dentes e checar os valores dentro de um mês.

No início de dezembro lá fomos nós para uma nova consulta… e lá foi Jojoe tirar mais sangue. Eu estava super esperançosa e nem um pouco preocupada pois tinha feito minhas pesquisas e lido que o hormônio que estava alterado – o ALP – é geralmente alto na raça do Jojoe. Mas minha falta de preocupação mudou quando recebi novamente uma ligação da veterinária dizendo que os valores do hormônio tinha triplicado e que outros tinham ficado alterados também. Pausa para comentar aqui que Jojoe estava ótimo, sem nenhum sintoma e alteração de comportamento. A veterinária indicou que fossemos para uma outra clínica, especializada em saúde interna.

Consegui consulta para o próximo dia. Estava super ansiosa porque palavras como “cancer” e “doença hepática” saíram da boca da veterinária naquela conversa de telefone. Eu não poderia acreditar que meu Jojoe estaria doente e entrei em um processo de negação e extremo zelo. A cada respiração mais profunda do peludo naquele dia eu ficava super preocupada e dava literalmente “um pulo” de onde estava, para estar ao lado dele se ele precisasse. E ele? Ele estava ótimo.

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Fui para a consulta no outro dia e como o marido não podia ir – tinha uma reunião importante e como marquei um dia antes ele não pode desmarcar – convidei uma amiga para me acompanhar caso algo de ruim fosse descoberto (obrigada Lilian!). Fizemos uma consulta detalhada e a veterinária levou Jojoe para fazer um ultrassom dos órgãos internos. Depois de 1h voltei para o hospital e para meu alívio nenhuma massa tumoral foi encontrada. O que foi encontrado foi um fígado um pouco aumentado e muitas perguntas, mas nenhuma resposta imediata.

Saímos daquele dia da clínica com prescrição de 3 remédios para serem tomados por 30 dias e a terrível notícia de que se os remédios não fizessem efeito Jojoe teria que fazer uma punção ou até uma biópsia de fígado. Saímos da clínica e fui correndo para a Shoppers pois queria começar a dar os remédios para Jojoe naquele mesmo dia. Foram prescritos um antibiótico, um anti-inflamatório e um anti-oxidante. E foram 30 dias de “regime fechado” para petiscos e “regime aberto” para muitos exercícios e muito carinho.

A consulta de retorno aconteceu na primeira semana de janeiro e eu lembro que pensei “vai dar tudo certo e o ano vai começar super bem”… mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Apesar das altas doses de remédio os níveis sanguíneos dos hormônios do fígado do Jojoe aumentaram ainda mais e o que eu temia seria a próxima opção: punção ou biópsia. Eu temia porque via meu cachorro super bem, saudável e feliz e sabia que “mexer” nele poderia mudar aquela disposição toda. Naquela noite eu e meu marido tivemos uma conversa e decidimos que iríamos pesquisar mais sobre o assunto, conversar com outras pessoas que possui scotties e entender mais sobre o que nosso peludo estava passando, antes de começar a furá-lo e cortá-lo. Jojoe é membro da nossa família e todos nós o amamos muito. Eu não iria submetê-lo à nada sem antes ler bastante e ter certeza que a minha escolha seria a melhor para ele. E eu faria isso pelo Thomas, pelo meu marido e por todos aqueles que amo.

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E foi a melhor escolha que poderíamos ter feito. Descobrimos que os altos níveis dos hormônios do Jojoe são super comuns na raça e que podem ser indícios de uma doença chamada Cushing’s Disease ou hiperadrenocorticismo, que é uma condição na qual há um excesso de produção do cortisol no corpo. A liberação do cortisol pelas glândulas adrenais provoca a liberação de glicose pelo fígado e pode alterar a produção hepática. E o diagnóstico desta doença não é feito “abrindo” o cachorro e sim fazendo alguns exames de sangue… e às vezes o diagnóstico nem é possível.

Voltamos para a clínica veterinária no meio de janeiro e eles mesmo assim queriam nos puxar para fazermos o exame (punção), para ter certeza do que estávamos tratando. Acho que na segunda semana de janeiro ligamos para a veterinária todos os dias, além de irmos lá falar com ela pessoalmente algumas vezes em uma única semana. Pausa novamente para informar que Jojoe continua ótimo e até mais energético pois perdeu peso e estava caminhando muito mais do que antes. Eu fiquei com muito medo de não estar fazendo o que a veterinária disse que era correto, mas ao mesmo tempo sabia que a condição dele não era uma “bomba-relógio” e que poderíamos tentar outras coisas antes de buscarmos o extremo. E é isso que fizemos, com a ajuda de vários pais de scotties (incluindo os pais da mãe e da irmã do Jojoe – olha a foto deles abaixo, em 2010). Entre estes cuidados estão cozinhar para Jojoe – ao invés de dar ração estamos só dando alimentos naturais e orgânicos, dar vitaminas (como ômega 3) e fazer mais caminhadas durante o dia (no mínimo 3). Ainda não sabemos o que Jojoe tem, mas ele está ótimo (cada dia mais ativo e mais feliz) e vamos dar um passo de cada vez para que ele continue assim: bem, feliz e cheio de vida.

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Coitadiiiinho do Jojoe, Gabi! Vou ficar na torcida por ele, não há de ser nada. Tenho uma peludinha também e sei bem que quando eles ficam doentes a gente se preocupa que nem filho mesmo!!

[…] Sobre o susto que Jojoe nos deu: sobre a saúde de Jojoe e o que aprendemos com tudo isso 89. O primeiro corte de cabelo do Thomas: […]

[…] contei aqui para vocês Jojoe nos deu um susto no final de 2016 porque estava com uma alteração grave nas […]

Fernanda Paschoalotti

Estou na torcida pelo Jojoe, se deus quiser não vai ser nada! Fico no aguardo por mais notícias dele

Priscila

Olá Gaby. Estas consultas que você faz são avulsas ou você paga algum tipo de convênio pra ele? Poderia me dizer quanto custa pra eu ter idéia. Abraço