Curso de pós graduação no exterior: minha experiência [Parte 2]

O primeiro post com dicas sobre minha experiência fazendo pós-graduação aqui no Canadá fez muito sucesso. Hoje escrevo mais um falando sobre as aulas, o seguro de saúde, e um pouco sobre a estrutura da Universidade que estudo (UofT).

O que esperar das aulas e créditos?

60297_1493162742799_5682676_n O meu primeiro ano de Doutorado foi super movimentado. Isso porque você tem que pensar muito além das aulas e créditos. Por exemplo, a Universidade de Toronto oferece aulas de inglês para alunos (internacionais ou não – como se fossem aulas de português para nós, Brasileiros). Estas aulas foram super importantes para mim porque por mais que eu soubesse inglês, quando cheguei para fazer um Doutorado nesta língua a coisa pegou. Nestas aulas eu aprendi a linguagem correta das aulas de aula, como escrever melhor os assignments, e por ai vai. Gostei tanto dos cursos que fiz 10 deles, até ano passado. Todos extra curriculares e sem créditos.

Em relação as aulas da Universidade, no caso do Doutorado você tem que fazer 4 créditos na sua Faculdade/Departamento e 2 créditos fora/em outro Departamento. O número de créditos depende muito da Universidade e do Departamento que você vai cursar. As aulas são bem puxadas e bem diferentes das aulas que tive no Mestrado no Brasil; diferentes no sentido de levadas mais a sério, com provas, trabalhos, pesquisa. Talvez porque como possuo bolsa, minhas notas devem ser sempre maiores que B+ (8.0), tarefa nem sempre fácil. Além disso, há vários cursos paralelos que você pode fazer (não sei se vocês lembram este post quando falo da minha necessidade de fazer cursos extra). Se você é como eu e não sabe dizer não para nenhuma oportunidade: cuidado! Talvez a UofT seja uma “droga” para você.

Algo importante para ser mencionado: o Seguro de Saúde

Uma das primeiras coisas que devemos nos preocupar quando viajamos – para não nos preocuparmos enquanto nos viajamos – é com o seguro saúde. Aqui no Canadá você só consegue o seguro saúde do governo se estiver morando 3 a 6 meses (depende do tipo de visto). A Universidade de Toronto tem um seguro para estudantes internacionais que são residentes permanentes (para estes meses de espera) ou não residentes: você pode pagar por mês ou por ano e o preço é super bom. Além disso, a Universidade possui clínicas com médicos e outras especialidades. E, não só isso: há vários locais com aconselhamento, para pais, estudantes que tem problema em lidar com ausência da familia, creches, etc. O ideal é que você procure o Centro de Estudantes Internacionais da sua Universidade (no caso da UofT, clique aqui).

Uma dica: quando você entrar em contato com a Universidade ou com seu futuro orientador, sempre pergunte sobre o Seguro Saúde. Isso é fundamental para você ficar tranquilo enquanto completa seus estudos. E é, certamente, uma das últimas coisas que pensamos quando estamos decidindo estudar fora do país.

Estrutura da Universidade

picture-010 Uma das coisas que mais me chamaram atenção é que todos os estudantes possuem um escritório na Universidade. No Brasil isso não é tão comum e quando fazia meu Mestrado eu não tinha escritório e estudava em casa. Aqui não, a maioria dos Canadenses não trabalha/estuda em casa, e o local de produtividade é mesmo na Universidade. Eu, por exemplo, tenho 2 escritórios – um no hospital e outro na Universidade -, mas o da Universidade eu confesso que raramente uso, porque eu produzo muito mais no hospital, aonde trabalho.

Eu nem preciso citar a estrutura da Universidade: fantástica! Muitas vezes eu páro e olho ao meu redor, e agradeço a Deus pois posso vivenciar isso todos os dias, por 4 anos. A estrutura da Universidade vai muito além dos belos
castelos” e salas de aula estilo “Harry Potter”: se você é aluno da UofT pode, por exemplo, fazer academia de graça (e eu conheço 3 academias ao redor do campus), reservar salas para você fazer reuniões ou simplesmente estudar, ter acesso a todas as revistas científicas possíveis, livros e bibliotecas com raridades, entre outras coisas.

Vida de “Estudante”, nem tão fácil quanto parece

picture-035 Muitas pessoas pensam que a vida de “estudante” é fácil (e por um momento, antes de começar meu Doutorado, até eu pensei assim). Mas no caso de estar estudante em uma Universidade fora de seu país, fazendo Doutorado e vários cursos, a vida pode ser muito, digamos, intensa. Não pensem que as oportunidades virão apenas após vc ser um “Doutor”; pelo contrário: durante o curso você tem que dar duro, se destacar, estudar muito e pode ter a oportunidade de ganhar prêmios e novas bolsas, ou até um novo emprego. Portanto, se você quer estudar fora do Brasil espere dedicação exclusiva a isso. Tenho certeza que valerá a pena e você colherá os frutos das noites em claro, do tempo longe da família e do seu esforço.



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Rebecca

Olá gaby, busco informações sobre a graduação em medicina no Canadá. Você possui algum e-mail para conversarmos? Tenho dúvidas sobre os preços,as bolsas para estrangeiros, e moradia no campus…

Suelen

Oi Gabriela, boa noite!! Gostei muito das suas postagens.. estou querendo fazer mestrado no exterior, sou especialista em ortodontia aqui no Brasil.

adolfo guidine batista

boa noite gaby, quero fazer meu mestrado no canada (toronto)e nao consigo achar a universidade, sou odontologo especialista em endodontia(tratamento de canal), vc poderia me ajudar me indicando alguma , obrigado pela atenção

[…] dei algumas dicas valiosas em uma série de 3 posts que foi ao ar em junho de 2013 (clique aqui, aqui e aqui para ler os posts). Mas mesmo assim surgem várias dúvidas e eu recebo muitas perguntas […]

Grazi

Oi Gaby…quero fazer doutorado na área de Educação Matemática para 2018 e tenho me preparado, mas não sei se terei grana para ir pro Canadá antes porque estou guardando tudo o que posso para ter grana caso seja aceita e tenha que me mudar…queria saber se você tem alguma dica de como ir se preparando aqui do Brasil mesmo (fazendo contatos e tals) porque estou no último ano de mestrado…também queria saber sobre esse histórico na área, se o meu histórico brasileiro vale, se tem que ter muitas publicações…socorro!