Detroit: vale a pena visitar?

Ontem eu mostrei para vocês aqui no blog as duas atrações incríveis que visitamos na região metropolitana de Detroit no mês passado, ambas relacionadas à Ford, cuja sede fica na cidade de Dearborn, vizinha a Detroit. Eu também contei para vocês que a gente atrasou demais a nossa ida para lá – apesar de amar museus e carros – por causa da fama de Detroit de estar “decadente” e “perigosa”. Eu resolvi escrever este post para contar um pouco mais sobre a nossa experiência neste final de semana – especificamente na cidade de Detroit – e responder a pergunta que eu recebo frequentemente no blog: vale a pena visitar Detroit? Vale falar que a gente só ficou no local dois dias, e na cidade de Detroit mesmo somente uma tarde. Então a minha opinião não é baseada em uma viagem longa ou em morar na cidade por um tempo. Se você quer saber como é morar em Detroit e quer ter mais informações sobre atrações turísticas na cidade eu super indico o blog Colagem da Luciana Misura: ela morou por lá algum tempo e tem até um guia completo que você pode comprar aqui.

Chegamos pela Ambassador Bridge – ponte que liga a cidade de Windsor no Canadá e Detroit nos USA – e depois de muita espera (na minha opinião entrar para os USA utilizando esta ponte é uma experiência demorada e traumatizante) conseguimos finalmente entrar na América. Logo na chegada já damos de cara com o prédio enorme e todo pomposo da Michigan Central Station, que está fora de uso desde 1988. Não se pode dizer que o local está abandonado já que há uma empresa que controla o local e as janelas do edifício foram todas substituídas em 2015. Mas não está em uso e se você olhar fotos de dentro do local verá que “abandonado” é o melhor termo para tal. Você deve estar se perguntando o porquê de eu começar meu texto falando de um edifício abandonado? Eu acho que este é a melhor maneira de explicar Detroit e a experiência de visitar o local: você chega por uma ponte linda, com uma vista linda da cidade e dos edifícios modernos do GM Renaissance Center e dá de cara com um edifício abandonado. É uma cidade de contrastes, de moderno vs. abandonado, de curiosidade vs. apreensão. Pelo menos foi tudo isso que eu senti enquanto passeava pela cidade.

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Antes de visitarmos o local eu vi que havia uma churrascaria brasileira bem no centro de Detroit, a Texas de Brasil. A churrascaria fica na frente do Campus Martius Park, no endereço 1000 Woodward Avenue. Comemos no local (estava bem gostoso) e como era sexta à tarde e o local estava cheio de pessoas a gente resolveu caminhar um pouco por lá. Não fomos muito longe pois a maior concentração de pessoas estava mesmo na praça e como eu estava louca para ir andar na beira do Detroit River a gente resolveu pegar o carro para passear por lá. Pegamos nosso carro – em um estacionamento chamado Premier Underground Garage onde você paga US$10 diretamente para a pessoa na portaria, sem controle ou ticket (me lembrou muito alguns lugares do Brasil) e seguimos na direção do rio. Eu estava louca par passear pelo River Walk, andar no Cullen Family Carousel e bater mil fotos do GM Renaissance Center mas ai enquanto dirigíamos vimos um montão de carros de polícia, algumas pessoas sendo “pegas”, ruas bloqueadas e não me senti segura de passear por lá. Infelizmente.

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Sim, eu sei, eu sei, eu não deveria estar preocupada em estar em um local repleto de policiais (e sim aliviada). Mas não adiantou, aquele pré-conceito e insegurança bateram mais forte e eu preferi não arriscar. Quando você lê notícias sobre a cidade você vê que sim, Detroit é violenta se comparada com outras cidades americanas, mas não é a mais perigosa de lá e, para minha surpresa, nem está na lista 2017 das 20 cidades mais perigosas dos Estados Unidos. Cidades como Miami Beach e Salt Lake City estão na lista e Detroit não (e olha que já visitei estas duas cidades e me senti muito segura nelas). Mas no fim os dados de roubos de carros, assaltos e homicídios em Detroit são altos e isso me perturbou um pouco. E isso é reflexo da saída das pessoas da cidade pela falta de empregos, o que levou a uma menor arrecadação de impostos, maior desemprego e mais pobreza (conforme esta fonte aqui 32% da população de Detroit vive abaixo da linha da pobreza).

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O trajeto do centro de Detroit para irmos para o nosso hotel em Dearborn foi feito pela estrada I-96. E ela passa no meio de vários bairros residenciais. E novamente a pessoa aqui ficou impressionada: várias casas abandonadas, muitas mesmo, no meio daqueles bairros. Estávamos na freeway então não conseguimos ter noção de como era o abandono mas chegando em casa eu fiz um street view no google maps de alguns lugares e pude entender a real dimensão disso tudo (até fiz o print acima de uma das milhares de casas abandonadas ao lado de uma bem bonitinha que eu achei no google maps). E vale falar que você tem duas casas abandonadas vizinhas a uma casa bem bonita e cuidada. O abandono é tão comum por lá que eles tem até tours para visitar lugares abandonados na cidade, especialmente para quem gosta de fotografia.

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Lembram quando eu falei sobre a cidade de contrastes? Pois é, Detroit é assim. Se por um lado eu fiquei com medo de andar da rua e fiquei super impressionada com os prédios e casas abandonados, por outro eu fiquei maravilhada com os edifícios do centro da cidade (muitos deles sendo revitalizados), fiquei impressionada com o novo streetcar da cidade, o QLINE light rail que tem paradas super tecnológicas com TVs, achei o povo super simpático, fiquei tentada a visitar o Motown Museum e o Detroit Institute of Arts, e morri de amores por uma bandinha tocando rock enquanto os torcedores de baseball do Detroit Tigers se dirigiam ao estádio Comerica Park, que é todo aberto e tem uma vista linda do centro de Detroit. Portanto, respondendo a minha pergunta do título, eu acho que sim, vale a pena visitar Detroit. Mas você tem que vir com a mente “bem aberta” para esta experiência e ter um roteiro, sabendo bem onde está indo.

Espero que tenham gostado do meu post e eu vou adorar ler a opinião de vocês sobre Detroit: já foram? tem vontade de ir? o que não posso deixar de visitar em uma nova oportunidade? alguma história que viveu por lá? Aguardo seus comentários e sua participação, que é fundamental aqui no blog. E aguardem porque eu pretendo voltar à Detroit mais cedo do que vocês imaginam e vou sim conhecer outros pontos turísticos e contar tudinho para vocês por aqui.



  • 8 Responses

    1. Marianne disse:

      Como é atravessar a fronteira? Foi muito ruim? Pior que a fronteira com Búfalo?

    2. Que pena que você não foi passear no Riverfront, não teria tido problema. Volte sim que você vai curtir! Detroit tem muito a oferecer, uma história riquíssima, e sim, tem muitos contrastes mas eles existem há décadas. Não é novo por causa da crise, a cidade se dividiu e o abandono começou com as lutas raciais nos anos 60. Campus Martius é uma graça e fica lindo no Natal, com a pista de patinação no gelo e a super árvore de Natal.

    3. Ingrid disse:

      Eu também estive em Detroit no início de julho e passeei muito pela cidade. Não tive problema algum em passear no lago e na área dos museus. Perdesse a oportunidade de ir em um lugar lindo. Que bom que tem vontade de voltar… e volte mesmo!

    4. Oi Gaby, como o seu post anterior também gostei muito deste pois você retratou a sua primeira impressão ao visitar a cidade e Detroi é isso mesmo, uma cidade de contrastes! Uma pena que você não pode aproveitar o seu passeio pelo riverftont. Estive lá este mês por 2 finais de semana consecutivos com as crianças e a família que estava nos visitamos e foi muito legal, estava super tranquilo e agradável e os meninos tomaram até banho na fonte! Sobre segurança, na primeira vez em que estive em Detroit depois de me mudar para Michigan fiquei super apreensiva como você pois a ideia que eu tinha de Detroit era de cidade violenta. Hoje eu ando tranquilamente com as crianças por downtown (não nos afastamos do centro não por que alguém vai chegar com uma arma e te assaltar – isso é raríssimo- e sim porque não tem nada de interessante e ainda é feio). Depois de 4 anos aqui, aprendi a gostar de Detroit com todos os seus contrastes e história. E sinceramente eu me sinto muito mais segura andando por downtown Detroit do que por São Paulo. Mais uma vez parabéns pelo blog! Grande abraço
      Juliana

      • Uma pena mesmo Juliana…. tô bem triste. Acho que se não tivesse visto a polícia e o incidente eu estaria mais tranquila. E isso pode acontecer em qualquer lugar (eu sei), mas a gente já chega na cidade com pré-conceito. Legal que vc já mora ai a 4 anos e imagino sim que vc se sinta bem mais segura ai. Obrigada pelo recado e pelo comentário, de super importância para meu texto. Abraços

    5. Amanda disse:

      Adorei seu post Gabi. Eu sempre quis ir para Detroit mas sempre fiquei com medo. Bom saber que é tranquilo e que a cidade é bonita. E adorei o post de ontem tbem – já está na minha lista de lugares para visitar. Obrigada

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