A vida no Canadá durante a pandemia de COVID-19 contada por 9 influenciadores digitais

Quem me acompanha no instagram sabe que nas últimas 3 semanas eu tenho mostrado muito a nossa nova rotina em casa e também aproveitado para compartilhar minha visão sobre a situação que estou vivendo e notícias sobre o COVID-19 em Toronto. Uma coisa que eu estou fazendo é acompanhar outras pessoas que estão compartilhando também suas experiências, medos e aprendizados, porque acho muito importante entender a visão dos outros. Isso certamente me faz refletir sobre vários pontos de vista e também me faz entender alguns dos sentimentos que tenho sentido – e saber que não estou sozinha nessa.

Esse post é muito especial e ele surgiu quando eu comecei a receber mensagens de pessoas no Brasil perguntando a minha opinião sobre a vida no Canadá durante o COVID-19. Eu acho muito complicado responder às perguntas sobre o assunto e é por isso que eu convidei 9 influenciadores digitais brasileiros que moram no Canadá para me ajudar a responder esta pergunta. Na verdade, eu pedi para cada um deles responder 5 perguntas sobre o assunto, que são as perguntas mais frequentes que eu recebo de vocês. Também pedi para cada um deles mandar uma mensagem para vocês em relação a situação delicada que estamos vivendo. Tentei convidar pessoas que me inspiram de alguma maneira e espero que eles também inspirem vocês com as suas respostas. Segue abaixo a lista de todo mundo que participou, seguido das respostas de cada um.

Livi Souza do Baianos no Polo Norte (Toronto, Ontario)

Musa Magalhães do Mamãe Musa (Markham, Ontario)

Dimitri Kozma do Canadá Diário (Vancouver, British Columbia)

Val Mahon do Lar Canadense (Brantford, Ontario)

Mariana Day do Mariana Day Blog (Calgary, Alberta)

Anndreza Veríssimo do Canal Anndreza (Ottawa, Ontario)

Nayara Cardoso do My Family no Canadá (East Gwillimbury, Ontario)

Djennyfer Kock do Blog da Djenny (Hamilton, Ontario)

Alessandra do Canadiando (Bathurst, New Brunswick)

Livi Souza do Baianos no Polo Norte

Sobre: Livi mora em Toronto (Ontario) desde 1998 com seu marido e duas filhas, de 11 e 8 anos. Ela escreve para o blog Baianos no Pólo Norte e também compartilha muita informação no seu instagram @livi_souza.

1. Como o COVID-19 impactou a sua vida?

O COVID-19 nos impactou negativamente e positivamente.O maior impacto negativo foi em nossos empregos. Eu atuo na área de intercâmbio e portanto estou praticamente parada. O meu marido é autônomo e teve que parar de trabalhar por tempo indeterminado. Porém, se deixarmos de lado a parte financeira, pelo menos agora temos mais tempo para nos dedicarmos as nossas filhas, nesse momento tão delicado.

2. Está fácil ou difícil ficar em isolamento voluntário?

Nós somos pessoas muito ativas, adoramos sair, passear e encontrar com amigos. Ficamos em casa durante a semana mas nos fins semana estamos sempre fazendo alguma coisa. Sabia que o isolamento seria um desafio mas encarei como uma oportunidade de desacelerar um pouco da nossa rotina corrida. No começo tudo era novidade, principalmente para as crianças, então não estava tão difícil. Mas com o passar dos dias e as limitações do isolamento, estamos ficando meio desanimados. A gente tenta inventar coisas para fazer e ajudar a passar o tempo mas não é fácil.

3. Você mudou muito a sua rotina nestas últimas semanas?

A nossa rotina mudou bastante nas últimas semanas. Vivíamos numa correria, agora estamos parados. O marido saía para trabalhar às 6:00am e só voltava às 5-6pm. As meninas iam para escola e faziam atividades extras 3 vezes por semana. Eu ficava de um lado para o outro, me dividindo entre trabalho, casa e crianças. Nos fins de semana a gente sempre passeava ou encontrava com amigos. A única coisa que não mudou é que sempre trabalhei em casa, raramente no escritório.

4. Qual medida que foi tomada na sua cidade ou província que mais te chamou a atenção (positivamente ou negativamente) e por que?

No geral, estou satisfeita com a forma que o Canadá está lidando com essa crise, com a preocupação que o governo tem com os cidadãos e com a transparência com que eles transmitem as informações. O governo de Ontário agiu de forma muito pontual, fechando escolas e implementando várias medidas preventivas. Aqui em Toronto eles foram muito rápidos em estabelecer protocolos de segurança nos hospitais, usando a experiência que tiveram no passado com o SARS.Porém duas coisas que me chamaram a atenção negativamente foram a demora em tornar a quarentena de viajantes mandatória e a falta de um controle mais severo na fronteira. Eles estavam apenas recomendando que pessoas que chegavam de viagem ficassem em isolamento por 14 dias porém não havia controle para saber se todos estavam fazendo. Eu sei de várias pessoas que chegaram de viagem num dia e estavam passeando no outro. Falta de consciência do cidadão e de fiscalização do governo.

5. O você espera aprender com esta situação e qual mensagem você dá para seus seguidores diante de tudo que está acontecendo no mundo?

Tudo na vida tem um lado bom e ruim. E a gente pode escolher em qual deles vai focar. Se eu focar no que é negativo, não vai resolver nada e ainda corro o risco de ficar deprimida. Então a minha mensagem é que as pessoas foquem em algo de positivo que essa situação trouxe. Para mim foi a oportunidade de desascelar e ter mais tempo para refletir em como quero conduzir a minha vida daqui para frente. Para o mundo, acho que trouxe uma oportunidade de união, de ajuda mútua e de repensar valores.

Musa Magalhães do Mamãe Musa

Sobre: Musa mudou-se recentemente para Markham (Ontario; 30km de Toronto) e posta diariamente vídeos e reflexões no seu instagram @mamaemusa. Ela mora com seu marido e filhos de 7 e 5 anos.

1. Como o COVID-19 impactou a sua vida?

Posso dizer que basicamente o COVID-19 aumentou minha sensação de instabilidade. O início da vida de imigrante não é fácil e o medo causado por “o que será do amanhã” foi potencializado por aqui. Também comecei a ficar mais ansiosa pela distância da minha família no Brasil e preocupada com eles, principalmente os idosos. Além disso, precisei adiar alguns projetos de trabalho que eu já estava quase pronta para iniciar, mas que demandam um pouco mais de estudos pela falta do meu maior tempo de produção com as crianças na escola.

2. Está fácil ou difícil ficar em isolamento voluntário?

Acredito que a maioria das pessoas não gosta de ter a liberdade cerceada e, falando como imigrante, sei que foi o que motivou a vinda de várias pessoas para o Canadá. A liberdade agora nos foi tirada não pela falta de segurança pública, mas pelo medo de contrair o vírus no nosso ir e vir. Então acho que isso é o que une a maioria das pessoas agora: a sensação de cerceamento e impotência. Mas falando no individual, para mim está relativamente fácil. E por quê relativamente? Claro que a gente tem medo pela falta de qualquer previsão do futuro (ainda que as previsões sejam ilusórias, a ilusão da garantia nos causa bem estar). Ao mesmo tempo, por escolha, eu já tinha decidido abdicar por um tempo da vida profissional para estar mais tempo com as crianças, então, no particular, dentro de casa, não estou vivendo nada muito diferente do que já era o dia a dia.

3. Você mudou muito a sua rotina nestas últimas semanas?

Complementando a pergunta anterior, por mais que a rotina esteja parecida, houve alteração sim. Os pontos principais são horário de sono e acesso a telas. Sobre o sono: meus filhos estão dormindo e acordando mais tarde (e eu durmo ainda mais tarde que eles e acordo com eles). O acesso permitido a telas aqui em casa é de 2h por dia e eles estão vendo mais do que isso. Não sei dizer quanto, pois depende do dia. Moro em frente a um gramado. Quando o clima está bom e vamos lá fora, tende a reduzir; quando eles estão empolgados para fazer atividades manuais, tende a reduzir; quando eu estou menos disponível porque estou estudando, por exemplo, tende a aumentar. Estou cozinhando muito mais do que a média. Não só porque todos estão o tempo todo em casa, mas porque é algo que gosto, então me ajuda a me distrair do stress causado por toda essa crise mundial.

4. Qual medida que foi tomada na sua cidade ou província que mais te chamou a atenção (positivamente ou negativamente) e por que?

Nenhuma em especial. Acho que não vou dizer nada muito diferente das outras pessoas e acho as medidas positivas. Foi tudo muito rápido, o governo tem agido de forma muito preventiva e eficaz. Muito rapidamente eles concluíram que o melhor a fazer era fechar as escolas e indicaram o auto-isolamento. Criaram uma linha telefônica de atendimento emergencial exclusiva para os casos suspeitos de COVID19. Os lugares de convivência como community centres e os de lazer que envolvem qualquer aglomeração foram fechados. Restaurantes também. Os lugares de atendimento essencial como mercados, farmácias, estão todos criando espaços delimitados com distância mínima entre as pessoas, protegendo os operadores de caixas com vidros, luvas, recebendo as pessoas com álcool gel, por exemplo.

5. O você espera aprender com esta situação e qual mensagem você dá para seus seguidores diante de tudo que está acontecendo no mundo?

Nesse momento de incerteza, acho que a reflexão é sobre como estamos aproveitando a vida, sobre o que a gente reclamou e era bom, que passemos a dar valor, e o que a gente se apegou e hoje percebemos que não faz falta nenhuma. Estamos vivendo um tempo de travessia e uma oportunidade de nos reinventarmos como pessoas. Escolhamos nossas batalhas. Não aceitemos o que nos faz infeliz. Simplifiquemos. Aprendamos a deixar pra lá. Sou uma pessoa que de forma nenhuma romantiza períodos ruins. É difícil enquanto estamos passando. Mas jamais nos esqueçamos de que nenhum bem permanece estável pela eternidade e não há mal que sempre dure. Tão certa quanto a morte é a instabilidade. TUDO PASSA, seja o que for que estejamos vivendo. E enquanto essa crise não passa, que consigamos aproveitar cada dia como se fosse uma vida inteira, já que nada, nada é em vão. Quando não é bênção, é lição. Que nos apeguemos à certeza de que, mais cedo ou mais tarde… dias melhores virão.

Dimitri Kozma do Canadá Diário


Sobre: Dimitri mora em Vancouver (British Columbia) com sua esposa Fabiana e os filhos Eric de 9 anos e Lorena de 6 anos. Ele posta sobre sua vida canadense e dicas no Canal do Youtube Canadá Diário e no instagram @canadadiario.

1. Como o COVID-19 impactou a sua vida?

Eu já trabalhava em casa, então não mudou muita coisa, mas a empresa em que a Fabiana trabalha fez home office para todos. Ela levou para casa o material da empresa e está trabalhando remotamente com a equipe. O impacto mais significativo foi com as crianças, que estão sem aulas e, por enquanto, as escolas não definiram como vão aplicar as aulas remotas.

2. Está fácil ou difícil ficar em isolamento voluntário?

Sinceramente não está sendo tão difícil. Estamos tentando levar da melhor maneira possível, mas o fato das crianças não estarem na escola nos preocupa, uma vez que não conseguimos dar a atenção suficiente que as crianças precisam durante o dia todo. Acho que o que mais nos incomoda é isso. De resto está funcionando bem.

3. Você mudou muito a sua rotina nestas últimas semanas?

Mudamos o hábito de mercado. Estamos agora fazendo compras online para apenas retirar no mercado. As filas enormes para entrar nos supermercados nos assustam. Tentamos tirar mais tempo durante o dia para fazer atividades com as crianças. No canal mudamos um pouco o conteúdo. Agora mais dedicado ao assunto da pandemia, para tentar informar as pessoas. Estamos também fazendo mais lives com informações recentes e mais interação com o público. Estou fazendo isso com todos os meus canais e podcasts.

4. Qual medida que foi tomada na sua cidade ou província que mais te chamou a atenção (positivamente ou negativamente) e por que?

Por enquanto na região da grande Vancouver o isolamento é voluntário. Mas fiquei impressionado quando fomos dar uma volta de carro pelo centro de Vancouver e vimos muita gente na praia, aglomeradas. Acho que é uma atitude bastante irresponsável. Na nossa família no Brasil temos algumas pessoas contaminadas com o vírus COVID-19 em estado grave e sabemos o quanto isso é sério.

5. O você espera aprender com esta situação e qual mensagem você dá para seus seguidores diante de tudo que está acontecendo no mundo?

O importante é a gente ter força e se cuidar ao máximo, não só de nós e de nossa família, mas cuidar também do todo, da saúde de nossa sociedade. O que a gente puder fazer para minimizar o impacto desta pandemia deve ser feito. Informação de fontes científicas e confiáveis é fundamental. Esqueçam ideologias, brigas políticas, agora o momento é de todos fazerem seu melhor para que a gente vença esta ameaça. Estamos vivendo um momento histórico que será lembrado como “a crise dos anos 20”. Vamos enfrentar isso da melhor maneira possível e fazer valer o nosso nome de humanidade.Vamos passar por isso juntos! Força! FIQUEM EM CASA!

Val Mahon do Lar Canadense

Sobre: Val mora em Brantford (Ontario) desde 2013 com seu marido e duas crianças, de 4 e 6 anos. Ela compartilha seu dia-a-dia através do instagram @larcanadense.

1. Como o COVID-19 impactou a sua vida?

Há 3 semanas se alguém me falasse que chegaríamos a esse ponto eu não acreditaria. O que mais me deixa ansiosa é a incerteza do que ainda está por vir. Vi o egoísmo das pessoas em todo o mundo em esvaziar as prateleiras nos supermercados e serem contra o isolamento. Mas em contraste, vi ainda mais a solidariedade das pessoas oferecendo ajuda aos idosos e às pessoas com dificuldade financeira. Aqui na minha cidade, muitas pessoas colocaram uma mesinha na frente de casa com alimentos e produtos extras que tinham em casa para compartilhar com os mais necessitados. Apesar de toda essa turbulência, sou grata pelo privilégio de estar “confinada” no aconchego do meu lar com minha família.

2. Está fácil ou difícil ficar em isolamento voluntário? 

Eu pensei que ia ser bem mais complicado, especialmente para entreter duas crianças dentro de casa. Até agora minhas filhas estão me surpreendendo e incrivelmente AINDA não estão entediadas. Meu marido está trabalhando de casa e pode pausar o trabalho algumas vezes para dar atenção às crianças e dividir os afazeres domésticos. O fato de termos pets também ajuda muito em nos manter ocupados e entreter ao mesmo tempo. Como as crianças estão numa fase de querer ajudar com tarefas de casa, aproveito como atividade e distração o auxílio em coisas simples na cozinha também. 

3. Você mudou muito a sua rotina nestas últimas semanas?

Não consideravelmente, minha caçula ainda não vai para escola, então a única diferença é ter duas crianças para dar atenção. O fim de semana sempre saíamos para passear, agora com o clima melhorando vai ser possível aproveitarmos mais nosso backyard. A partir dessa semana tenho que começar a programar atividades escolares para minha filha mais velha que está no SK, confesso que não me preocupei com isso no começo, mas agora com a incerteza de quando a escola retorna, meu marido e eu vamos organizar nossa rotina para planejar o Homeschooling. 

4. Qual medida que foi tomada na sua cidade ou província que mais te chamou a atenção (positivamente ou negativamente) e por que?

Aqui em Brantford a comunidade Six Nation (Canadenses Nativos) tiveram que fechar todas as vias de acesso à Reserva, algumas coisas lá são bem mais baratas (cigarros, gasolina, etc) e tinha um fluxo grande de pessoas de fora indo para comprar esses produtos. Então o “Chief” decidiu permitir só a entrada dos residentes da reserva, especialmente para proteger seus “Elderlies” do vírus.

5. O você espera aprender com esta situação e qual mensagem você dá para seus seguidores diante de tudo que está acontecendo no mundo?

Todos nós temos um papel a cumprir nesse momento, se cada um fizer sua parte agora, podemos fazer a diferença lá na frente e vencer juntos. Seja solidário, fique em casa e confie em Deus SEMPRE!

Mariana Day do Mariana Day Blog

Sobre: Mariana mora em Calgary (Alberta) com seu marido, sua filha Beatrice de 3 anos e dois gatinhos. Ela escreve no blog Mariana Day e posta quase que diariamente sua vida no instagram @marianadayblog.

1. Como o COVID-19 impactou a sua vida?

Acredito que o principal impacto foi o confinamento total em casa, sem daycare (creche) e eu fui dispensada voluntariamente do trabalho por tempo indeterminado – ou seja, sem salário. O impacto financeiro é considerável e o mental também.

2. Está fácil ou difícil ficar em isolamento voluntário? 

Está muito difícil. Nós tínhamos uma rotina muito regrada em casa, até porque meu marido trabalha 100% de casa. Nossa rotina mudou drasticamente, porque estamos todos em casa. Fica bem difícil pro Fernando trabalhar e claro: entreter uma criança pequena que é extremamente ativa é um desafio bem grande. Mas fora tudo isso, acredito que o fato de não poder sair deixa a gente com mais vontade ainda de ir pra rua ver pessoas.

3. Você mudou muito a sua rotina nestas últimas semanas? 

Com certeza. Muitas coisas mudaram: levar o lixo por exemplo dá briga aqui em casa – todo mundo quer ter o seu tempo sozinho na rua. Acho que a rotina de limpeza da casa se intensificou bastante, o cuidado que antes não era tão preocupante hoje é essencial. É bem trabalhoso tirar toda a roupa na porta, higienizar sapatos, casacos, as compras que chegam. A gente acaba ficando um pouco paranóico com isso. O tempo de lazer mudou completamente – não podemos ir a lugar nenhum, restaurantes, farmácia, bares, lojas, viagens curtas de fim de semana. O que antes era super comum e dado como certo para um fim de semana, hoje dá bastante saudade. A rotina da casa em si muda bastante também – cozinhar todos os dias, entreter uma criança que não tem acesso à escola agora e ainda encontrar tempo para outros projetos – tem sido bem desafiador de uma maneira geral. Precisamos exercitar a criatividade na hora de criar novas rotinas, novas brincadeiras e exercícios.

4. Qual medida que foi tomada na sua cidade ou província que mais te chamou a atenção (positivamente ou negativamente) e por que? 

Uma das coisas que mais me chamou atenção aqui em Calgary foi a criação de “drive-through” para a realização dos testes. Meu marido precisou ser testado para o COVID-19 porque ele tinha sintomas e nós havíamos chegado há alguns dias do Brasil. Ele recebeu uma ligação e, após conversar com o serviço de saúde de Alberta, foi agendado um horário para ele ir de carro até a novo “drive-through”. Você espera em um lugar demarcado e um profissional de saúde vem até você – totalmente protegido e insere um coletor no nariz. Em até 3 dias alguém ligaria para dar o resultado. Meu marido testou negativo. Outra coisa que me chamou muita atenção foi o benefício emergencial que a Província de Alberta disponibilizou para todas as pessoas que não haviam conseguido aplicar para o seus benefícios de saúde/EI. A província disponibilizou $1146 por pessoa para ajudar a manter as contas em dia e ajudar os mais necessitados. Esse benefício é recebido uma vez só e pessoas que não tinham vinculo empregatício também podem aplicar. O motivo de me chamar atenção é: o nosso país/província/cidade está realmente trabalhando para a população. Algo que infelizmente nós não estamos acostumados no Brasil.

5. O você espera aprender com esta situação e qual mensagem você dá para seus seguidores diante de tudo que está acontecendo no mundo?

A mensagem que eu gostaria de passar é que a gente precisa ser grato por todas as coisas da vida que a gente dá como garantido. A natureza cobra um preço alto para que a gente possa se utilizar dos seus recursos e a gente precisa pensar qual o mundo a gente gostaria de deixar para as próximas gerações. A gente não sabe – comprovadamente – de onde surgiu esse vírus. O que a gente sabe é que ele nos limitou como indivíduos em comunidade. A gente ainda tem muito para evoluir e esse período em quarentena é ideal para que possamos ser mais humanos, mais solidários e mais preocupados com o mundo em que a gente vive. Muitas pessoas não entendem a associação da natureza com essa história toda, esse quem sabe é um bom momento para gente aprender e refletir sobre isso, se conectar com as pessoas à nossa volta, repensar as nossas relações com o consumo – seja ele natural ou financeiro, e claro: aprender a olhar para o próximo com mais cuidado. Nós estamos todos juntos nessa e nós precisamos de todo mundo para continuar existindo como sociedade.

Anndreza Veríssimo do Canal Anndreza

Sobre: Anndreza mora em Ottawa com seu marido e filho de 7 meses. Ela tem um canal no Youtube e uma conta no instagram @anndreza onde mostra dicas e sua vida no Canadá.

1. Como o COVID-19 impactou a sua vida?

Por conta do vírus tivemos que cancelar uma viagem, mas isso não foi um problema pra mim. O impacto maior vai ser ter que fazer uma mudança (mudar de casa e cidade) nesse período. Ainda não sei como faremos tudo isso com um bebê, mas tenho certeza que vai ser uma aventura!

2. Está fácil ou difícil ficar em isolamento voluntário?

Estou tentando colocar leveza nesses dias (na medida do possível), mas claro que tem dias mais difíceis, onde a gente pensa no futuro, nas incertezas, nas perguntas sem respostas! O que tem me ajudado nesse período de isolamento é não pensar muito que “não devo sair de casa”, mas penso que estou tendo a oportunidade de ter mais tempo de qualidade com a minha família!

3. Você mudou muito a sua rotina nestas últimas semanas?

Eu estou de licença maternidade e meu esposo já trabalhava home office antes, então a rotina na nossa casa continua praticamente a mesma! O que mais mudou foi o fato que não fazemos mais as compras de casa em família, e não poder mais nos reunirmos na nossa igreja, ou com os amigos. Nossa adaptação está sendo sair somente um de nós dois para fazer as compras quanto for extremamente necessário. Temos assistido aos cultos e mantido contato com os amigos pela internet! Santa internet! Imagina se isso tudo tivesse acontecendo nos anos 2000? Seria tudo mais difícil!

4. Qual medida que foi tomada na sua cidade ou província que mais te chamou a atenção (positivamente ou negativamente) e por que?

Recentemente, aqui em Ottawa, fecharam também todos os parques e suas instalações, incluindo os playgrounds. Só são permitidas caminhadas, mas mantendo a distância de 2 metros dos outros. Também estão proibidos grupos com mais de 5 pessoas. Caso não cumprirem podem receber multas sob a Lei provincial de até $ 100.000. Acredito que essas medidas estão sendo tomadas porque ainda existem pessoas que não entenderam a gravidade desse momento que estamos vivendo!

5. O você espera aprender com esta situação e qual mensagem você dá para seus seguidores diante de tudo que está acontecendo no mundo?

Temos muito a aprender com tudo isso! Esse é o momento de se reinventar, instigar a criatividade, aprender coisas novas, se conectar mais com Deus e a família… SER RESILIENTE! Resiliência é a capacidade humana de enfrentar, superar e ser fortalecida ou transformada por experiências de adversidade.

Nayara Cardoso do My Family no Canadá

Sobre: A Nayara mora em East Gwillimbury (Ontario; 50 km de Toronto) com seu marido e dois filhos (5 anos e 1 ano). Ela compartilha sua vida através do instagram @myfamilynocanada.

1. Como o COVID-19 impactou a sua vida?

No começo ficamos só preocupados e com medo. Lemos e nos informamos em relação à doença, então desde o início procuramos tomar as medidas indicadas por especialista. Lembro que quando fomos ao Brasil (meio para o final de fevereiro) ainda não tinha nenhum caso lá então o voo de avião na ida foi bem tranquilo e não haviam medidas extremas, mesmo assim levei álcool e limpei tudo no avião. Já na volta as coisas já estavam piores e a tensão foi maior. O primeiro susto foi que para voltar ao trabalho meu marido que estava se tratando de uma crise de bronquite teve que visitar um médico e pegar um atestado médico dizendo que não tinha COVID-19 para voltar ao trabalho. Depois disso foi ao trabalho por dois dias e depois já começou a trabalhar de casa. Na sexta dia 13 de março o Pedro ainda foi para a escola, mas depois disso a ficha foi caindo. As aulas foram canceladas e a empresa que meu marido trabalha já tinha dispensado todos para trabalhar em casa e a rotina aqui em casa foi mudando. Nossa casa sempre foi muito agitada, com muitos amigos e muitas reuniões. Tentamos sair todos os finais de semana e tudo isso mudou em pouquíssimo tempo. Não poder ver nossos amigos é muito ruim, mas tentamos minimizar o impacto com as ligações mais frequentes. O Pedro tem amigos que ligam quase que diariamente e a gente vai levando. Para ele tudo é festa e pelo menos por enquanto parece que as crianças não sentem tanto o distanciamento social Eu realmente acredito que temos que tentar tirar o melhor de qualquer experiência. Quando saímos para ir em um parque ou até para brincar no quintal está sendo diferente para nós. Hoje mesmo fomos fazer uma trilha depois de 16 dias em casa e mesmo atentos aos cuidados necessários foi muito bom. Ficar em casa não é nada quando vemos a situação ao redor do mundo e nesse momento é importante lembrar que somos abençoados por estarmos saudáveis, dentro de casa e com pessoas que amamos e por conseguir fazer o isolamento. Já fizemos massinha, pão, esfiha, outras delícias, jogamos vídeo game, ligamos o som alto e dançamos. No final do dia estamos exaustos, mas o importante é estarmos juntos.

2. Está fácil ou difícil ficar em isolamento voluntário?

Estamos isolados e fácil não é. Como disse antes estar isolado não é a melhor coisa, mas precisamos agora, então vamos procurar fazer com que seja o melhor possível. Claro, precisa ter muita energia e criatividade para entreter as crianças. Estamos tentando e por enquanto tem sido uma experiência única. As crianças querem brincar, depois querem comer, depois começam a chorar e querem atenção e meu marido mesmo aqui em casa tem trabalhado demais e não da para me ajudar sempre. Então eu invento massinha, peço ajuda para o Pedro na cozinha, coloca uma bolacha na mão da Luisa e vamos seguindo rs. De noite a gente tenta assistir um filme juntos, mas normalmente eu durmo depois de 10 minutos.

3. Você mudou muito a sua rotina nestas últimas semanas?

Minha rotinha diária nunca foi muito parada, começamos cedo. A maior diferença é que durante a semana eu não levo o Pedro na escola e não vou a supermercado e no final de semana não saímos para visitar amigos ou para fazer qualquer outra coisa fora. Então agora tenho o Pedro aqui o dia inteiro, fazemos as compras de supermercado pela internet, o marido está aqui mas está trabalhando quase que 10 horas por dia, mas mesmo assim estamos colocando o Pedro para estudar enquanto o Raphael trabalha, principalmente no período da tarde. Para tentar motivar ele colocamos uma mesa no mesmo quarto aonde o Raphael trabalha e eles viraram colegas de trabalho.

4. Qual medida que foi tomada na sua cidade ou província que mais te chamou a atenção (positivamente ou negativamente) e por que?

O Isolamento voluntário, a consciência das pessoas e principalmente dos governantes do Canadá e da Província de Ontário. Tudo que eles estão levando em conta, a preocupação com as pessoas e os benefícios dados para a população que precisa. Por aqui não  ouvi falar: “as pessoas irão morrer de fome se não trabalhar”. Os governantes preocupados com a população, oferecendo benefícios significativos para aqueles que não conseguem trabalhar em casa e vários incentivos para negócios. Outra medida importante foi o cancelamento das aulas e acima de tudo a disponibilização de material didático on-line para as crianças. Além disso a professora do Pedro entrou em contato semana passada para perguntar se ele tem acesso a um computador ou iPad e internet, pois as aulas continuarão on-line e o Board queria entender se existem crianças que não teriam acesso a esse material que será disponibilizado.

5. O você espera aprender com esta situação e qual mensagem você dá para seus seguidores diante de tudo que está acontecendo no mundo?

Acredite, vai passar! Acredito que isso é mais uma oportunidade que Deus está nos dando para aprender sobre como amar, cuidar das pessoas, pensar no próximo e principalmente refletir se estamos focando nossas energias nas coisas certas. Meu conselho é, fiquem em casa e cuidem dos seus. Descubra coisas que te façam bem e façam dentro de casa, sozinhos ou com a família. Eu espero aprender a ter mais paciência, saber que tudo tem o seu tempo, aprender a desacelerar a vida e dar ainda mais valor a nossa família e agradecer sempre por sermos tão abençoados.

Djennyfer Kock do Blog da Djenny

Sobre: A Djennyfer – que está gravidíssima – mora em Hamilton (Ontario) com seu marido e sua filha de 7 anos. Ela compartilha dicas e a vida no Canadá através do seu canal no youtube e o instagram @djennyferkock.

1. Como o COVID-19 impactou a sua vida?

Como eu trabalho com mídias sociais, sempre trabalhei de casa e isso não mudou, mas agora ganhei novas tarefas, tendo minha filha de 7 anos e meu marido em casa. Outro aspecto inevitável é a preocupação com a economia, com o trabalho do meu marido e também com a escola da minha filha, isso nos deixa aflitos e de certa maneira ansiosos por não saber como estaremos no próximo mês.

2. Está fácil ou difícil ficar em isolamento voluntário?

Eu vejo muitas pessoas de certa forma em desespero, sem conseguir aguentar essa situação e diante disso acho que está sendo muito tranquilo pra nós, eu amo ficar em casa e o meu trabalho continua igual, então ainda tenho minha ocupação, mas com tarefas a mais. Tem sido gostoso este tempo em família, temos aproveitado muito, conversado mais, brincado, assistido filmes e até mesmo exercícios em família dentro de casa, então considero que esta sendo bom. 

3. Você mudou muito a sua rotina nestas últimas semanas?

Ajudar minha filha a estudar, tarefas da escola, brincar, jogar e fazer atividades para que as coisas fiquem menos entediantes e para que ela não fique ansiosa com toda a situação tem sido novas tarefas diárias que não faziam parte da minha rotina. Além disso, meu marido que antes saía às 7:30 AM e chegava às  5:30 PM agora passa o dia todo em casa, o que tem sido bom, assim conseguimos dividir melhor as tarefas da casa e com a nossa filha.

4. Qual medida que foi tomada na sua cidade ou província que mais te chamou a atenção (positivamente ou negativamente) e por que?

De maneira geral, acho que todas as medidas tomadas pelo governo são muito positivas. Minha maior preocupação sempre foi minha filha que tem asma e bronquite, então fiquei mais tranquila pelo fechamento das escolas, ainda que não seja uma tarefa fácil fazer home schooling. Neste momento que estamos vivendo, muitos trabalhadores perderem seus empregos ou foram dispensados por tempo indeterminado e o governo tem dado diversos benefícios financeiros para a população não precisar escolher entre ter comida na mesa ou saúde, eu achei isso muito positivo.

5. O você espera aprender com esta situação e qual mensagem você dá para seus seguidores diante de tudo que está acontecendo no mundo?

Eu sempre tento ver o lado positivo de qualquer situação, e por mais triste e preocupante que seja o momento que estamos vivendo, acho que nossa sociedade estava caminhando para uma vida muito mecânica. Depois que a tempestade passar, daremos mais valor ao arco irís. Encontros com amigos, abraçar os seus pais ou avós, apertar a mão de um desconhecido, abraçar alguém, respirar o ar puro em um dia de sol ou brincar no parquinho com os nossos filhos terão outro valor, aliás, já tem outro valor para nós, não é?
Esse momento vai passar, nós vamos poder voltar a viver nossa vida normalmente, mas jamais seremos os mesmos. Três semanas em casa já nos faz dar valor a coisas que nem sabíamos ser importante para nós, então calma, tudo tem um propósito e os desafios nos fortalecem.

Alessandra do Canadiando

Sobre: A Alessandra mora em Bathurst (New Brunswick) e mora com o marido e filhos ( Martin e Bárbara, 8 e 5 anos respectivamente). Ele escreve para o blog Canadiando e também o instagram @canadiando.A

1. Como o COVID-19 impactou a sua vida?

Acredito que ninguém na face da terra, nem nos lugares mais remotos, não esteja sendo impactado pela fase que o mundo atravessa. Esse vírus desconhecido bagunçou os planos de todo mundo. Aqui estamos tentando nos adaptar a nova realidade. Em New Brunswick temos um inverno não tão rigoroso, mas com muita neve. Então a chegada da primavera é algo que todos esperam com ansiedade. Este ano não será fácil assistir apenas da janela. Também tomamos algumas medidas para economizar: suspendemos o serviço de TV a cabo, um plano adicional de internet e estamos de olho no gasto de energia elétrica. Não perdemos nossos empregos, mas a carga horária baixou e a renda junto.

2. Está fácil ou difícil ficar em isolamento voluntário?

O isolamento social é o mais difícil. Como moramos em casa, as crianças podem brincar no jardim ainda coberto de neve. Quase todos os dias faço um passeio de carro para ver como está a cidade, mas não estamos com a sensação de “prisão”. Acredito que o mais complicado é não poder conversar com os amigos e ter o contato físico mais próximo. Nessa região do Canadá as pessoas são acostumadas a abraçar e socializar bastante. Acredito que esta distância obrigatória esteja sendo o maior desafio dos New Brunswickers.

3. Você mudou muito a sua rotina nestas últimas semanas?

Totalmente. Ainda estou na fase de organização. Eu trabalho no esquema de “home office” então preciso ajustar os horários para dar conta de tudo. Meu marido me ajuda muito e isso faz toda diferença. Meus filhos, como todas crianças, tem muita energia para gastar. Temos que usar a criatividade mais do que nunca.

4. Qual medida que foi tomada na sua cidade ou província que mais te chamou a atenção (positivamente ou negativamente) e por que?

New Brunswick é uma província pobre e com uma grande fatia da população idosa. Estou muito satisfeita com a maneira que as coisas estão sendo conduzidas. As escolas fecharam na hora certa e o trabalho de conscientização comunitária é pesado. Vejo um clima real de solidariedade e preocupação com o próximo. Hoje assisti uma cena que me deixou muito impressionada. O ministro de Educação provincial fez uma entrevista coletiva a toda Imprensa local para informar aos pais sobre o fechamento definitivo das escolas e orientar outras questões de estudo. No final, fez questão de deixar seu email e número de celular “pessoal” para quem ainda estivesse com dúvida sobre algum ponto. Isso é a demonstração mais clara do compromisso de alguém que ocupa um cargo público com a sociedade. É nessas horas que o Canadá se mostra para você.

5. O você espera aprender com esta situação e qual mensagem você dá para seus seguidores diante de tudo que está acontecendo no mundo?

Eu acho que o momento é de puxar o freio de mão para tudo. Muitas pessoas me escrevem perguntando sobre como ficará o Canadá nos próximos meses. Boa parte está com a passagem comprada para imigrar, estudar, etc. Eu não acho que seja a melhor hora. O mundo está em crise em vários setores. Pode ser que tudo se resolva nos próximos meses ou não. Tiramos os pés do chão, literalmente. Precisamos recuperar a confiança. Não pense que por ser um país de primeiro mundo estamos 100% seguros. Pessoas vão morrer e a economia será drasticamente abalada. Temos que lidar com a realidade. Esperar não significa desistir. A única coisa certa é que mundo não será mais o mesmo depois do COVID-19. Tudo deve mudar: os valores, as prioridades, a higiene e até o relacionamento entre as pessoas. Talvez essa parada tenha sido necessária, independente de questões religiosas, para o mundo respirar. Vejo matérias que dizem que os mares estão mais limpos, muitos animais se reaproximaram (como as baleias em Vancouver) e os níveis de poluição caíram drasticamente nos grandes centros. Será que precisávamos de um vírus tão cruel para enxergar que o planeta não é apenas uma bola com gente dentro? Pensem nisso. Stay safe!

Espero que tenham curtido o post e a opinião desse grupo, que é incrível. Não deixe de seguir todos eles em seus canais, blogs e redes sociais e aprender mais sobre o Canadá e a vida aqui. No próximo post é a minha vez de responder a essas perguntas…

1 Resultado

  1. Livi disse:

    Gaby,

    Que post INCRÍVEL!
    Adorei ler a opinião de cada um e saber mais sobre como estão lidando com tudo isso.
    Muito obrigada pelo convite.

    Beijos

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