Como um peixe fora d´água…


Não me entendam mal, mas desde que cheguei em Floripa estou me sentindo um peixe fora d´água.

Estranho estar aqui – na cidade que nasci e cresci – e não saber aonde fica a loja de biquini do shopping, não ter um celular o qual todos possam me ligar, qual é o corredor do supermercado que possui biscoito, aonde fica um bom restaurante no centro, quanto é normalmente um determinado produto, não saber o telefone das minhas amigas, quantos graus é frio, o nome dos personagens das novelas, que horas são só de olhar pro céu, qual o melhor local pra atravessar a rua, aonde fica o banheiro do shopping…

Eu já havia lido num blog sobre o choque cultural de voltar ao seu próprio pais depois de um período ausente e pensei: “ah, que gente mais fresca”, mas hoje eu estou me sentindo uma estranha aqui. Fazia quase 7 meses que não vinha pro Brasil (o máximo que já fiquei longe da terrinha) e ao chegar fiquei um pouco perdida. Depois de estar 4 dias tudo continua parecendo diferente: o gosto da banana, o cheiro da água, o pão de fatia, o trânsito nas ruas, a umidade, as propagandas na TV, o fato de pagar o preço que está marcado na nota fiscal, o sabonete, o atendimento das pessoas, a maneira de se vestir…

Engraçado como eu imaginava que, quando estivesse aqui, iria querer ver tudo, andar nas ruas e fazer aquilo que estivesse ao meu alcance pra “matar a saudade de Floripa”, mas não tive a reação que esperava ter! Tenho vontade de ficar na “minha casa” (casa dos meus pais), com eles, vendo TV, conversando com a minha mãe, fofocando com minha irmã, comendo comida caseira e de pijamas…

Estou me sentindo uma estrangeira no meu país assim como me sentia no Canada quando cheguei: não sei que roupa vestir em determinadas situações, já me peguei mais de 5 vezes falando “sorry” e “excuse me” para as pessoas nas ruas, o gosto das comidas parece novo, não sinto frio (mesmo estando 16 graus lá fora)… Eu confesso que sinto que perdi um pouco minha “identidade coletiva brasileira” – o que as pessoas chamam de se misturar com o seu povo – mas ganhei uma identidade que acredito ser mais importante: a valorização de estar com minha família e amigos! E é isso que me faz sentir saudade.



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[…] saudade precoce e um aperto no peito. Sobre a primeira fase – de angustia – eu escrevi aqui no blog: estava me sentindo um peixe fora d’água no começo. A sensação de estar perdida e […]

Vanessa Zattar

Este teu post, me fez lembrar da recém viagem em que fiz com meu marido neste feriado, quando visitamos os museus, e não consegui me imaginar vivendo daquela maneira que estava sendo retratado nas “antiguidades” ali expostas. Mas, acredito que seja uma questão de evolução da sociedade, e de escolhas que fizemos, e principalmente em darmos valor pelas coisas simples e concretas da vida: o carinho das pessoas que amamos. Bjoxxx e uma ótima viagem pra vc’s.

anna maria lima de melo

E mas esta SUA vinda para Floripa junto com sua irmã me proporcionou um momento que há muito não vivia.¨’ IR DORMIR COM AS MINHAS DUAS FILHAS DORMINDO CADA UMA EM SEU QUARTO.’..como antigamente. Foi muito bom. Tudo pode mudar, mas sua casa, sua família serâo sempre seu aquário e aqui vc nunca ficará fora dagua meu peixinho!!!!!

Eu achava que era a única que tinha isso e estava sendo a chata, hehe.
Isso de falar “excuse-me” e “sorry” acontecia direto no mercado, aí a pessoa ainda te olha com cara feia achando que você quer aparecer…