Festival de Maple Syrup

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Hoje pela manhã fomos visitar o Maple Syrup Festival no Bruce’s Mill Conservation Area, uma área de conservação que fica a quase 50 km Norte do centro de Toronto e possui várias trilhas. Já vou deixar registrado que o local é de difícil acesso de transporte público (pesquisei na internet e demora mais de 2h para chegar saindo da Dundas Square e pegando 1 metro + 3 ônibus); portanto, faça o passeio somente se estiver de carro. Tanto o festival quanto a visita a uma fazenda de maple é uma atividade super Canadense e imperdível se você quer entender um pouco mais sobre a cultura do país ou se tem crianças (elas curtem muito!). Neste post irei contar um pouco do que aprendemos neste passeio, incluindo o processo de fabricação do maple syrup, o produto mais Canadense de todos.

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Maple syrup – chamado em português de xarope de bordo ou xarope de ácer – é o xarope extraído da seiva bruta das árvores do gênero maple (ácer em português). Há vários tipos de maple: sugar maple (o que tem a folha símbolo do Canadá), black maple, silver maple e red maple (mais rara e com a temporada de colheita mais curta).

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Maple sugar – chamado em português de áçucar de bordo – é o que resta após a seiva do maple ser fervida por mais tempo do que é necessário para criar o maple syrup. Uma vez que quase toda a água tenha sido fervida, tudo o que resta é um açúcar sólido, o maple sugar. Por composição, este açúcar é de cerca de 90% de sacarose, o restante constituído por quantidades variáveis de glicose e frutose. A produção de maple sugar é difícil pois este queima facilmente; portanto requer uma habilidade considerável.

Sugarbush ou Sugarwood é a fazenda que produz o xarope de bordo. Até 1930s, os Estados Unidos foi o maior produtor de maple syrup. Hoje, o Canadá é responsável por mais que 80% da produção mundial de maple syrup (cerca de 26.500.000 litros). Destes, 75% são produzidos na província de Quebéc. Clique aqui para a lista completa das fazendas de maple em Ontario e aqui para as fazendas de maple de Quebéc.

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Sugar House ou Sugar Shack é o local dentro da fazenda aonde a seiva do maple é cozida. No lugar que fomos a casa de açúcar era também uma lojinha com vários produtos feitos de maple.

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Maple Taffy ou Maple Toffee é o mais delicioso de todos os doces feitos de maple (na minha opinião). É um doce feito com a seiva fervida além do ponto que iria formar o maple syrup. Esta seiva mais espessa é derramado na neve e endurecido, formando uma espécie de bala que geralmente é servida como pirulito. É tradição ser servido ao lado da Sugar House.

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Os povos aborígenes do Canadá foram os primeiros grupos a produzirem o maple syrup e o maple sugar. Embora existam relatos escritos do uso de maple syrup na América do Norte que datam de 1557, as origens exatas deste produto são desconhecidas. Sem documentação escrita para orientar os estudiosos, a história é deixado à especulação sobre a descoberta de como a produção e o consumo começaram, mas diz a lenda que crianças aborígenes estavam brincando de arco e flecha e acertaram uma árvore, vendo a seiva sair desta e, muito curiosos, provaram e viram como era doce. Muitos pratos indígenas substituem o sal tradicional pelo açúcar de maple.

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As árvores de maple podem ser aproveitadas para a produção de xarope a partir dos 40 anos de idade. Cada árvore pode suportar entre uma e três torneiras, dependendo do seu diâmetro de tronco (ou seja, sua idade). A árvore de bordo média vai produzir 35 a 50 litros de seiva por temporada, até 12 litros por dia. A coleta da seiva bruta acontece num período restrito, no final do inverno e início da primavera norte-americanos (entre final de março e início de abril, de quatro a oito semanas), quando as árvores acordam da “hibernação” do inverno e voltam a produzir seiva em abundância.

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A seiva das árvores de maple possui uma característica especial e diferente de outras espécies: desloca-se para baixo no início do inverno (sentido raízes) e para cima no final do inverno. No resto do ano fica parada, como ocorre usualmente com outras espécies de árvores. No final do inverno, durante o dia (quando está mais quente) o amido armazenado nas raízes para o inverno sobe pelo tronco como seiva açucarada, permitindo que ele seja aproveitado. A seiva bruta não é aproveitada à noite, porque a queda de temperatura inibe o fluxo de seiva, embora torneiras são normalmente deixadas no local durante a noite.

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O que mais me deixou impressionada foi que 40 litros de seiva produzem apenas 1 litro de maple. A seiva bruta possui 3% de açúcar e 97% de água – e a água vai ser evaporada até que o produto final – o maple syrup – tenha 66% de açúcar. Para acelerar o processo natural de evaporação a seiva passa por um enorme fogão – antigamente era feito com fogueiras e era preciso que as famílias se agrupassem para cuidar da produção, que precisava de vigilância 24h para não queimar o produto.

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O cozimento da seiva em diferentes temperaturas pode resultar em diferentes produtos: maple syrup a 103C, manteiga de maple à 112C, maple taffy à 118C e açúcar de maple a 124C.

Antigamente eles usavam baldes para coletar a seiva mas hoje é feito com um sistema de canos e tubos. Eu não imaginava como era e fiquei encantada em ver tudo isso no nosso passeio.

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Claro que passear pela fazenda sem experimentar o maple syrup não tem graça! E foi assim que provamos o maple aonde estava sendo fervido, comemos pirulitos personalizados e panquecas com maple.

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O festival de Maple em Toronto acontece até o dia 6 de abril, também no Kortrich Conservation Area. O ingresso custa $10 para adultos e $6.50 para crianças e idosos. O valor do ingresso dá direito a estacionamento e o tour guiado pelo local.

Além do tour sobre a produção de maple syrup (que leva uns 45 minutos), do local que vende panquecas e da lojinha há alguns animais (umas ovelhas e bodes) e uns pôneis aonde as crianças podem andar (achei um pecado porque eles colocam os pôneis para andar em círculo, amarrados o dia todo).

Cachorros são aceitos na coleira, mas não levamos Jojoe porque além de estar uma lama e frio queríamos almoçar e com ele não seria possível.



  • 10 Responses

    1. celio disse:

      Show! Sensibilidade e harmonia. Parabéns.

    2. maria madalena de oliveira disse:

      gostei,já degustei o mel

    3. Letícia disse:

      Gaby, que festival mais delicioso!!! Esse pirulito de maple syrup tá com um cara boaaaaaa! Adorei! 🙂
      Beijocas mil

    4. Lismara disse:

      Que passeio interessante, Gaby!
      Já ouvi falar muito do maple syrup, mas não fazia ideia de como era feito.
      Adorei o post! Beijos!

    5. Alan Zampella disse:

      Que passei show! Pergunta: a carta de motorista do Brasil pode ser usada ai? Parabéns novamente! Este será mais um passeio que iremos fazer!

      • Gabriela disse:

        Olá Alan! Sobre carteira de motorista tem um post aqui no blog – acredito que possa ser usada por 3 meses após a chegada! Da uma olhada no post (não lembro mas deve ter alguma informação). 😉

    6. anna maria lima de melo disse:

      Passeio lindo e delicioso.Especialmente por estar com muita neve.Beijos

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