Do outro lado…

Eu sempre fui uma “aluna”, daquelas chatas, que quer saber de tudo, que corrige tudo, que quer tirar as melhores notas (mas isso não vem ao caso agora neste post)! Acho que desde que me conheço por gente (desde os três anos) eu estou em algum curso, seja na creche, no colégio, no “ginásio”, no cursinho pré-vestibular, no curso de inglês, na Universidade (graduação, pós-graduação, especialização, mestrado, doutorado)… Mas professora, eu só fui ser agora! E como é estranho estar do outro lado

Uma das minhas crenças sempre foi da relação de professor/aluno ser de cooperação, de respeito e de crescimento. Nunca gostei daqueles professores que se achavam “os melhores” e acredito que, embora o educador tenha um papel fundamental neste processo, é o aluno o sujeito ativo/interativo e o responsável por este processo de construção de conhecimento.

Eu sempre imaginava quando ia entrar em uma sala de aula não para ter aulas, mas sim para dar aulas. Eu sempre imaginei como eu ia me portar, se ia ser do tipo “durona”, como iria fazer quando alguém tivesse uma dúvida e eu não soubesse a resposta, se iria corrigir os trabalhos levando em consideração o esforço dos alunos ou não…. Estar lecionando, na Universidade de Toronto, em inglês, certamente é uma experiência além do que eu imaginava, além das minhas crenças, além de tudo. Estou feliz, completa e aprendendo mais a cada dia com novas experiências. Estou tentando fazer da complexa relação professor/aluno algo simples e ao mesmo tempo buscando uma “troca”, de conhecimento e de cultura.

E hoje tive mais uma experiência: a primeira prova que apliquei. Hoje cedinho, 8:45am, depois de uma tempestade de neve (que foi muito mais tranquila do que a previsão), fui eu aplicar o exame para meus 100 queridos alunos (a maioria de 18 anos).

A sensação é diferente, todos te olhando durante a prova (alguns certamente tentando trapacear), todos muito educados (demais!), fazendo perguntas estranhas (“posso usar borracha?”). Confesso, estando “do outro lado” eu acabei respeitando e admirando ainda mais aqueles que foram meus professores. Ao mesmo tempo eu sempre fico me questionando se aos 17-18 anos eu agia assim? Certamente sim!

“é o modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos; fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor, que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade”. (Masseto, 1990).

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4 Responses

  1. MIRIAN DEL CARMEN QUINTILHAN disse:

    Poxa vida Gaby. que legal…
    Sabias que eu sempre imaginei isso?
    o papel do professor a postura a presença fisica e energia espiritual trabalhando em consenso para um mundo de melhores pessoas cada vez mais capacitadas para o grande *entendimento* de estarmos aqui neste plano vibracional.

    grande beijo e MUITA LUZ e SABEDORIA para seguires em frente
    SUCESSO SEMPRE….

  2. Roger disse:

    Gaby!! Agora sabes o q sofri qdo fosses minha aluna… hahaha Brincadeirinha. Estou muito orgulhoso da minha aluna (ex). Bom ski e final de semana. Bjs

  3. Letícia Giacomin disse:

    Adorei esse post, Gaby! Tem tudo a ver comigo tb, sabe? Muito bacana!
    E se eles perguntam se podem usar borracha na prova, cuidado! A arte de escrever cola na borracha é milenar e já deve ter rodado o mundo todo! hehehehehe
    Beijo grande e boa sorte na carreira, dinda!

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